Documentário 'Vivo 76' resgata álbum histórico de Alceu Valença em estreia no festival É Tudo Verdade
Uma década após a concepção inicial, o aguardado documentário 'Vivo 76' finalmente chega às telas, mergulhando na fase seminal da carreira solo do renomado artista pernambucano Alceu Valença. A obra cinematográfica, dirigida pelos cineastas Cláudio Assis e Lírio Ferreira, será exibida na prestigiada 31ª edição do festival É Tudo Verdade, programada para ocorrer simultaneamente no Rio de Janeiro e em São Paulo entre os dias 9 e 19 de abril.
Foco no álbum que marcou época
O filme concentra-se especificamente no álbum 'Vivo!', lançado por Alceu Valença em março de 1976 pela gravadora Som Livre, que agora celebra cinco décadas de existência. Este trabalho representa o segundo disco solo do cantor e compositor, seguindo o aclamado 'Molhado de suor' de 1974. A produção musical ficou a cargo de Guto Graça Mello, enquanto as fotografias da capa dupla em vinil foram capturadas por Mario Luiz Thompson (1945-2021), criando uma peça visual tão impactante quanto a sonoridade.
O álbum 'Vivo!' registra o show 'Vou danado pra catende', apresentado pela primeira vez por Alceu Valença no Rio de Janeiro em 1975. As oito faixas foram gravadas em 7 de setembro de 1975 durante a última apresentação da temporada carioca no Teatro Tereza Rachel, capturando a energia única da performance ao vivo.
Fusão de tradição nordestina e energia rock
O que torna 'Vivo!' tão especial é sua ousada mistura sonora, que funde a força e a eletricidade do rock com as raízes profundas da música nordestina. Alceu Valença construiu uma sonoridade universal a partir de matrizes regionais como aboios, emboladas, martelos agalopados, modas de viola e cocos, apresentados com uma intensidade por vezes psicodélica que desafiava convenções.
Todas as oito composições do álbum são de autoria exclusiva de Alceu Valença, com exceção de 'Edipiana nº 1', que conta com a coautoria de Geraldo Azevedo – parceiro com quem Alceu havia debutado no mercado fonográfico em 1972. Duas músicas, 'Papagaio do futuro' e 'Punhal de prata', já haviam sido gravadas no álbum anterior 'Molhado de suor', sendo que a embolada 'Papagaio do futuro' tinha sido apresentada anteriormente no Festival Internacional da Canção de 1972 em uma performance memorável com Geraldo Azevedo e o lendário Jackson do Pandeiro (1919-1982).
Estreia no festival e contexto atual
A première de 'Vivo 76' ocorrerá na abertura carioca do festival É Tudo Verdade, marcando um momento significativo para a cultura musical brasileira. Enquanto o documentário chega às telas, Alceu Valença continua ativo na cena artística, atualmente envolvido com a turnê comemorativa de seus 80 anos, intitulada '80 girassóis'.
O fato de 'Vivo!' continuar a ressoar com força cinco décadas após seu lançamento comprova sua relevância atemporal. O álbum não apenas consolidou a identidade musical de Alceu Valença, mas também estabeleceu um marco na música brasileira ao demonstrar como as tradições regionais podem dialogar com linguagens universais. Agora, com o documentário 'Vivo 76', essa história ganha nova dimensão cinematográfica, permitindo que novas gerações descubram a potência criativa desse período fundamental da carreira do artista.



