Show 'Balada de um vagabundo' celebra a obra musical do poeta Waly Salomão no Rio de Janeiro
Dois anos após sua estreia em Salvador, o espetáculo "Balada de um vagabundo – A música de Waly Salomão" chegou à cidade do Rio de Janeiro na noite de 17 de março, realizando um sonho da plateia de amigos e admiradores das cantoras Jussara Silveira e Sylvia Patricia. O show, que homenageia o poeta e compositor baiano falecido há 23 anos, ocorreu no clube Manouche, reunindo um público íntimo e vibrante.
Uma jornada pela poesia musical de Waly Salomão
Artista multimídia de alma efervescente, Waly Salomão legou um cancioneiro rico, composto com parceiros ilustres como Adriana Calcanhotto, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco e Lulu Santos. Em cena, sob a direção musical do guitarrista e arranjador Alex Mesquita, Jussara e Sylvia vibraram e se afinaram na pulsão poética que gerou músicas icônicas.
Desde a primeira música, "Negra melodia", ficou evidente o balanço sedutor da banda de origem baiana, como sublinhou Jussara Silveira, também ela baiana de criação e espírito. Sylvia Patricia, legítima baiana nascida em Salvador, completou a sintonia perfeita, criando uma atmosfera de casa para todos os presentes.
Arranjos potentes e projeções emocionantes
A vibração das cantoras, a potência dos arranjos e as projeções visuais – com imagens de Waly cedidas pelo filho do poeta, Omar Salomão – valorizaram o espetáculo. A percussionista Lan Lanh, sempre uma presença especial em cena, e o baixista Alexandre Vieira, evidenciado no suingue de "Memória da pele", contribuíram para a riqueza sonora.
Um momento marcante foi a exibição de uma foto cedida por Thereza Eugenia, mostrando Gal Costa ao lado de Waly Salomão durante a execução de "Vapor barato". A imagem fez todo sentido, pois as presenças de Gal Costa e Maria Bethânia pairaram no ar ao longo do show, já que se impuseram como as principais intérpretes da obra musical do poeta.
Parcerias musicais e altos e baixos
O roteiro do show destacou as parcerias de Waly Salomão com Caetano Veloso e Jards Macalé, que quase sempre valorizaram musicalmente a poesia imagética do poeta. Números como "A voz de uma pessoa vitoriosa", "Alteza" e "Mal secreto" brilharam no palco, com as vozes das cantoras em uníssono ou em solos emocionantes.
No entanto, o espetáculo também revelou que, às vezes, o compositor parceiro de Waly não acompanhou a pulsão do poeta na criação da melodia. Exemplos foram "Dono do pedaço", de Gilberto Gil, e "Motivos reais banais", de Adriana Calcanhotto, que transcorreram sem o mesmo poder de sedução.
Momentos de empatia e celebração
O samba "Da gema" reluziu como pérola rara, enquanto "Mel" derramou empatia, com o público fazendo coro com as artistas. "Assaltaram a gramática", com música de Lulu Santos, e "Natureza humana", versão em português de um sucesso de Michael Jackson, foram números de grande conexão com a plateia.
Mesmo sem se render ao mainstream, Waly Salomão soube ser pop, e suas parcerias com Caetano Veloso e Jards Macalé representam a mais completa tradução musical longe da esfera pop. São essas duas parcerias que nutrem o show de Jussara Silveira e Sylvia Patricia, mantendo a força e a pulsão dos versos do poeta.
Ao final, reverberando o mote "a vida é sonho", as cantoras se agarram à poesia de Waly Salomão para oferecer um espetáculo que celebra a vida, a arte e a música brasileira em toda sua riqueza e diversidade.



