Caso do tenente-coronel: 5 revelações estarrecedoras sobre feminicídio da esposa cabo da PM
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente e responde, na Justiça Militar, pelo feminicídio de sua esposa, a cabo da Polícia Militar Gisele Alves Santana. O caso, que inicialmente foi registrado como suicídio, passou por diversas reviravoltas durante a investigação, revelando evidências que contradizem a versão apresentada pelo militar e apontam para um assassinato premeditado.
Exatamente um mês após a morte de Gisele, ocorrida no dia 18 de fevereiro, o tenente-coronel foi detido na última quarta-feira, 18 de março, denunciado e se tornou réu pelo crime. A vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde vivia com o esposo, na zona leste da capital paulista, na manhã daquele dia fatídico. Foi o próprio tenente-coronel quem acionou a polícia para comunicar o óbito.
Família contesta versão de suicídio e pede investigação aprofundada
A família de Gisele sempre contestou a hipótese de suicídio, afirmando que o casal mantinha um relacionamento conturbado e que a cabo desejava se separar. Eles solicitaram que o caso fosse investigado mais a fundo, o que levou à descoberta de vários elementos que desmontaram a narrativa do tenente-coronel. Além do feminicídio, Rosa Neto também responde por fraude processual.
Veja a seguir os cinco pontos-chave que fizeram os investigadores mudarem completamente o rumo do inquérito e que revelam detalhes estarrecedores sobre este trágico caso:
- Tempo entre disparo e acionamento da polícia: Vizinhos do casal relataram ter ouvido um disparo de arma de fogo às 7h28 do dia 18 de fevereiro. No entanto, a polícia só foi acionada pelo tenente-coronel meia hora depois. Durante esse intervalo, ele realizou vários telefonemas, levantando suspeitas sobre suas ações no local do crime.
- Limpeza do apartamento: Imagens de câmeras de segurança do prédio onde o casal residia registraram a presença de policiais militares subordinados a Rosa Neto no apartamento, a mando dele. Eles teriam limpado o ambiente, removendo marcas de sangue e possíveis vestígios de agressão, em uma tentativa clara de adulterar a cena do crime.
- Arma na mão da vítima: Quando o corpo de Gisele foi encontrado, ele segurava a arma da qual partiu o disparo fatal. A perícia do caso considerou essa posição altamente improvável em situações de suicídio, fortalecendo a tese de que a cabo foi, na realidade, assassinada.
- Agressões físicas prévias: Após o enterro, o corpo de Gisele foi exumado para uma segunda perícia, que identificou sinais de agressão no rosto e no pescoço, compatíveis com marcas de unhas e mãos. Mensagens recuperadas do celular do tenente-coronel mostraram que a vítima havia reclamado, antes de morrer, de ter levado um tapa no rosto. Em outras conversas, ele afirmava que, por pagar as contas da casa, ela lhe devia disponibilidade sexual. Gisele respondeu com firmeza: "Se você acha que só contribuindo com o dinheiro já está fazendo sua parte, ótimo, mas pra mim não é assim que funciona, nunca foi assim e não vai ser agora que vai mudar. (...) por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final".
- Comportamento machista e autoritário: Outras mensagens encontradas no celular de Rosa Neto revelaram, segundo o Ministério Público, um "comportamento machista, agressivo, possessivo, manipulador e autoritário". O tenente-coronel se referia a si mesmo como um "macho alfa", "soberano" e "provedor", exigindo de Gisele um comportamento submisso. Em um trecho, ele declarava: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser".
Defesa do tenente-coronel mantém tese de suicídio
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto afirma veementemente que ele é inocente e sustenta a tese de que Gisele cometeu suicídio. Os advogados do militar recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) na tentativa de transferir o caso da Justiça Militar para a Justiça Comum, argumentando questões de competência legal. Enquanto isso, a investigação continua a apurar todos os detalhes deste crime que chocou a corporação e a sociedade, destacando a gravidade da violência doméstica e do feminicídio no Brasil.



