Monobloco mergulha no mar de Jorge Aragão com novo álbum e enredo carnavalesco
O décimo e último megabloco escalado para animar o Carnaval carioca de 2026, o Monobloco, desfilará no Circuito Preta Gil, no Centro do Rio de Janeiro, no domingo pós-folia, 22 de fevereiro. Com uma trajetória no Carnaval desde o ano 2000, o bloco comandado por Celso Alvim e Pedro Luís levará para as ruas o enredo “Pode entrar que a casa é sua”, que presta homenagens emocionantes a Arlindo Cruz (1958 – 2025) e a Preta Gil (1974 – 2025).
Álbum celebra a obra foliona de Jorge Aragão
O repertório do desfile será baseado integralmente no álbum “Mar de Aragão – Monobloco canta Jorge Aragão”, disponível nas principais plataformas de áudio desde 6 de fevereiro, sob o selo Aragão Music. O título do enredo, “Pode entrar que a casa é sua”, é um verso extraído do samba “Verdadeiro bloco” (2026), composto especialmente por Jorge Aragão para o Monobloco e registrado neste trabalho.
Produzido musicalmente pelo renomado percussionista Marcos Suzano, este é o primeiro álbum de estúdio do coletivo desde “Arrastão da alegria”, lançado há treze Carnavais, em 2013. A missão de capturar a energia efervescente de um bloco de rua dentro de um estúdio é reconhecidamente desafiadora, mas o Monobloco alcança um feito notável ao resgatar sambas menos conhecidos do vasto cancioneiro de Jorge Aragão.
Pérolas raras e a alegria do samba
O álbum se destaca por escavar joias do repertório do compositor, muitas vezes mais associado a sambas melancólicos, para evidenciar seu lado festivo e carnavalesco. Entre as preciosidades estão:
- “Sem perdão” (Jorge Aragão, Nilton Barros e Sereno), um grande samba lançado por Alcione em 1981 e há tempos esquecido.
- “A festa é da massa” (1982), outra joia apresentada originalmente por Alcione e regravada pelo bloco com a cadência baiana do ijexá.
- “Agitar geral” (Jorge Aragão e Sombrinha, 2006), que ganha um toque de funk na batida do samba.
Aberto pela voz de Pedro Luís em “Toca esse tambor” (Jorge Aragão, Joel de Almeida e Pereira Matos, 2024) – tema do Carnaval do Monobloco em 2024 –, o disco também apresenta a voz de Ana Costa no inédito samba-título, composto por Claudio Jorge e Marcelinho Moreira em tributo a Aragão.
Homenagem a uma lenda do pagode
O álbum celebra o autor de sucessos atemporais como “Coisa de pele” (1986), considerado uma carta de princípios do pagode carioca, aqui relida com a adesão vocal de Marcelinho Moreira. A sonoridade, embasada pelo poderoso paredão percussivo do Monobloco e enriquecida com sopros, sintoniza-se perfeitamente com o tom extrovertido de grandes sambas de folia como:
- “Primeira escola” (1979)
- “Alegria Carnaval” (1982)
- “Suor no rosto” (1983)
Originalmente lançados por vozes como Alcione, Ney Matogrosso e a saudosa Beth Carvalho (1946 – 2019), estes clássicos ganham nova vida. Beth, intérprete original de hits como “Vou festejar” (1978) e “Coisinha do pai” (1979) – ambos revividos no disco –, também é lembrada através de “Herança” (1980) e “Toque de malícia” (1984), outras duas preciosidades restauradas para a rua.
Um recorte legítimo e oportuno
Ao ignorar deliberadamente os sambas mais melancólicos de Aragão, o Monobloco faz uma escolha astuta, focando na alegria pulsante que também define a alma e a obra do compositor. Este recorte legitima o mergulho oportuno do coletivo no mar poético de melodias e letras de um artista que sempre soube levantar a onda e o astral quando é Carnaval.
Nesta onda de celebração, o Monobloco promove um verdadeiro arrastão de alegria ao cantar Jorge Aragão. O álbum “Mar de Aragão” é moldado para a folia, mas sua qualidade artística e curadoria primorosa do repertório garantem que ele é bom o suficiente para ressoar e emocionar muito além dos dias de Carnaval.
