Guilherme Arantes celebra meio século de música com reflexões sobre a indústria
Aos 72 anos, Guilherme Arantes se consolida como um dos mais importantes nomes da música popular brasileira. Com uma carreira que completa cinco décadas neste sábado, 14 de março de 2026, o artista prepara uma apresentação especial intitulada 50 Anos-Luz, que percorrerá seus maiores sucessos.
Trajetória marcada por clássicos e colaborações
Nascido em São Paulo, Guilherme Arantes é reconhecido como um verdadeiro hitmaker nacional. Entre suas composições mais famosas estão Meu Mundo e Nada Mais, Cheia de Charme e Um Dia, Um Adeus. Sua influência se estende por gerações, com canções gravadas por ícones como:
- Roberto Carlos
- Caetano Veloso
- Maria Bethânia
- Elis Regina
- Belchior
Transformações na indústria musical
Em entrevista exclusiva, Arantes reflete sobre as mudanças profundas no mercado musical desde o início de sua trajetória. "O enfoque da música como produto se transformou radicalmente", observa o artista. "Quando começamos, o disco era o elemento central - o vinil, as gravadoras, toda uma cultura fonográfica. A partir dos anos 1980 e especialmente nas décadas seguintes, a indústria dos shows passou a predominar."
Segundo o compositor, essa inversão trouxe consequências significativas: "Surgiram gêneros mais voltados para performances ao vivo - pagode, sertanejo, axé, funk. Todos funcionam especialmente bem no formato de shows e no comportamento de massa."
Adaptação e reconhecimento entre gerações
Apesar das transformações do setor, Arantes mantém uma turnê ambiciosa com produção de alta qualidade. "Nosso repertório vem da era fonográfica, aquela era de ouro da criação", explica. "Trazemos um material robusto que muitas vezes o showbusiness atual não tem para apresentar."
Questionado sobre o possível "esquecimento" de artistas de sua geração, ele responde com ponderação: "Nossa turma dos anos 1970 e 1980 sofreu uma pausa natural. Às vezes, a estratégia é não ficar o tempo todo querendo aparecer."
Sobre o movimento de artistas consagrados se apresentando para públicos mais jovens em festivais, Arantes demonstra interesse: "Muito. É um novo comportamento, uma nova maneira de vender música. Meu tempo chegará - sou paciente. Seria bacana me tornar um clássico revalorizado, como Nile Rodgers, que comunica tão bem com as novas gerações."
Posicionamento pessoal e profissional
Conhecido por opiniões contundentes ao longo da carreira, Arantes reconhece: "Já fui imprudente e despreparado, não compreendendo bem com quem ou sobre o que falava. Era voluntarioso, mas hoje minha especialidade não é falar."
Em ano eleitoral, quando muitos artistas se posicionam politicamente, ele prefere outros temas: "Quem tem vontade deve se manifestar. Eu tenho outros assuntos - o universo, a natureza vibratória, o papel do afeto na física quântica. Sou um cara estranho assim."
Próximos passos e colaborações
Em setembro, Guilherme Arantes se apresentará como convidado especial da banda Roupa Nova no Rock in Rio, no dia 7, mesma data em que Elton John será a atração principal. "É uma honra tão grande", emociona-se o artista. "Temos tanto a ver. Eles gravaram várias músicas minhas, e nossa amizade completa 50 anos."
A turnê 50 Anos-Luz promete ser uma celebração digna de meio século dedicado à música brasileira, com produção visual impressionante, qualidade sonora excepcional e um repertório que atravessa décadas de sucesso.
