Conflito musical: Bôscoli responde a críticas de Mariano sobre relançamento do álbum 'Elis'
Um desentendimento artístico envolvendo o legado da cantora Elis Regina ganhou novos capítulos esta semana, com trocas públicas entre figuras centrais da produção do icônico disco Elis, originalmente lançado em 1973. O arranjador César Camargo Mariano, de 82 anos, representado pela advogada Deborah Sztajnberg, enviou uma notificação extrajudicial à gravadora Universal Music Brasil na quarta-feira, 8 de abril, expressando seu profundo descontentamento com a remixagem e relançamento do álbum, que recebeu novas orquestrações sob a curadoria de João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina, de 55 anos.
Protesto público e queixas detalhadas
A ação legal segue um protesto público feito por Mariano em 20 de março, quando o veterano músico utilizou suas redes sociais para manifestar insatisfação. Em publicação no Instagram, ele afirmou ter ouvido as novas versões "com tristeza", declarando que "todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados" foram "jogados no lixo". Suas críticas específicas incluíram:
- Alterações nos compassos da faixa É Com Esse que Eu Vou
- Modificações na instrumentação de Doente Morena
- Ajustes nos vocais de Oriente
- Mudanças na percussão de Caçador de Esmeraldas
- Alterações no sincronismo de É Com Esse que Eu Vou
Resposta firme de João Marcello Bôscoli
Procurado pela imprensa, João Marcello Bôscoli apresentou uma defesa contundente do projeto e questionou a legitimidade das reclamações de Mariano. "Se ele não é a artista dona do álbum, não é produtor, não é diretor de produção, não fez todos os arranjos (fez parte dos arranjos), é um músico tão importante quanto os outros e não compôs nenhuma canção, desconheço algum motivo razoável", afirmou Bôscoli, referindo-se à exigência de consultoria prévia do arranjador.
Para embasar sua argumentação, o herdeiro de Elis Regina compartilhou imagens da arte original do vinil de 1973, que documentam a colaboração de outros músicos fundamentais, como Luisão Maia e Paulinho Braga, nas faixas Ladeira da Preguiça, Oriente, Agnus Sei e Meio de Campo. "Diante desse documento, não há nenhum cabimento do pedido", pontuou Bôscoli, sugerindo que a contribuição de Mariano, embora valiosa, não era exclusiva ou determinante para todo o álbum.
Respeito às opiniões e agradecimentos
Sobre as críticas estéticas ao resultado final do relançamento, João Marcello Bôscoli demonstrou respeito pelo direito de opinião, mas manteve sua confiança no trabalho realizado. "Agradeço a Universal por conduzir a maior parte da discografia da Elis Regina com profissionalismo, respeito e força, sem nunca ter deixado nenhum fato abalar a relação sólida construída com nossa família", concluiu o produtor, enfatizando a parceria de longa data com a gravadora.
Até o momento, a Universal Music Brasil informou que ainda não recebeu oficialmente a notificação extrajudicial enviada por César Camargo Mariano. O caso continua em aberto, com potencial para desdobramentos legais e artísticos que envolvem não apenas questões contratuais, mas também a preservação e reinterpretação do patrimônio musical brasileiro.



