Unidos da Tijuca 2026: Carnavalesco quer mostrar alegria e complexidade de Carolina Maria de Jesus
Tijuca 2026: Carnaval vai além do sofrimento de Carolina Maria de Jesus

Unidos da Tijuca 2026: Carnavalesco quer mostrar alegria e complexidade de Carolina Maria de Jesus

A Unidos da Tijuca está preparando um desfile que promete emocionar e surpreender o público no Carnaval de 2026. Com o enredo dedicado à escritora Carolina Maria de Jesus, a escola de samba do Rio de Janeiro assume um desafio ambicioso: apresentar uma narrativa que vá muito além da imagem tradicionalmente associada à autora de Quarto de Despejo.

Desfile biográfico busca equilíbrio entre dor e alegria

O carnavalesco Edson Pereira explica que a proposta é criar um desfile assumidamente biográfico, mas sem se limitar a uma narrativa única de sofrimento. "A gente acha que conhece a Carolina, mas conhece só uma parte. O Carnaval dá a oportunidade de descobrir muito mais sobre a vida e a obra dela", afirma o profissional.

Segundo Pereira, o maior desafio é equilibrar os momentos difíceis da trajetória da escritora com suas conquistas, desejos e alegrias. "O Carnaval é uma grande festa, e a Carolina também viveu alegria", destaca o carnavalesco, revelando que a proposta é transformar a biografia em uma experiência de identificação popular.

Carolina Maria de Jesus: uma mulher múltipla e atual

Ao longo do desfile, vida e obra caminharão juntas. As histórias pessoais da escritora se misturarão às páginas que ela escreveu, revelando uma mulher complexa e profundamente atual. "As questões que a Carolina levantava no passado continuam muito presentes hoje. Isso faz com que as pessoas se reconheçam na trajetória dela", explica Edson Pereira.

Apesar de ter vivido uma vida marcada por privações, Carolina Maria de Jesus cultivava a alegria à sua maneira. Ela era compositora, cantava, escrevia para radionovelas e gostava de Carnaval. "Ela era uma mulher alegre. Vivia a felicidade do jeito dela, como muitas pessoas oprimidas vivem hoje. Às vezes não é sobre poder, é sobre oportunidade", reflete o carnavalesco.

Samba como manifesto e reconhecimento

Essa leitura cuidadosa permite que o desfile trate a dor sem apagá-la, mas também sem deixar que ela seja o único eixo da narrativa. A escritora surge como uma grande personagem brasileira, exaltada em vida e celebrada na Avenida. "O samba é um manifesto. Ele reconhece a dor, mas coloca a Carolina no lugar de grande brasileira", afirma Pereira com convicção.

Conexão com a comunidade da Tijuca

A escolha do enredo dialoga diretamente com a comunidade da Unidos da Tijuca, que, segundo a escola, abraçou a proposta desde o início. "Esse é um carnaval feito para a comunidade. Quando o enredo dialoga com a realidade do povo, a comunidade se reconhece. E quando isso acontece, metade do caminho já está percorrida", destaca o carnavalesco.

A escola fecha a segunda-feira de Carnaval, e a expectativa é que o desfile deixe uma marca emocional forte no público. "Esse é um enredo de reflexão. Faz a gente pensar sobre o Brasil, sobre oportunidades e sobre reconhecimento", completa Edson Pereira.

A Unidos da Tijuca será a última escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro de 2026, prometendo uma apresentação que honre a memória de Carolina Maria de Jesus em toda sua complexidade e humanidade.