Suvaco do Cristo se despede após 40 anos: bloco histórico encerra trajetória no Rio
Suvaco do Cristo encerra após 40 anos no Rio

Suvaco do Cristo encerra trajetória após quatro décadas de história no Rio

O bloco Suvaco do Cristo se despede das ruas do Rio de Janeiro neste domingo (8), após quarenta anos de existência. Com um desfile derradeiro marcado para as 10h, na Rua do Jardim Botânico, 594, o grupo encerra uma trajetória marcada pela irreverência e pela importância na revitalização do carnaval de rua da cidade.

Origem e contexto histórico do bloco irreverente

Nascido em 1986, o Suvaco do Cristo surgiu em um bairro que se projeta a partir das axilas da estátua do Cristo Redentor, daí o nome criativo. A criação está ligada a um grupo de amigos do local, em diálogo com a cena musical e artística carioca dos anos 80. O contexto político da época não estimulava a ocupação das ruas, e o carnaval se limitava às escolas de samba e blocos oficiais no centro da cidade. Com a redemocratização e o movimento das Diretas Já, em 1984, esse cenário começou a mudar, pavimentando o caminho para blocos como o Suvaco.

João Avelleira, fundador e presidente do bloco, destaca: “O Suvaco sai da rua para entrar na história porque considera sua missão cumprida. O Carnaval de rua foi revitalizado e renovado de uma forma incrível”. Ele acrescenta que, com blocos de todas as cores, ritmos e gêneros hoje, a nave do Suvaco pode pousar tranquilamente.

Desfile final com homenagens e sambas emblemáticos

O último desfile do Suvaco do Cristo contará com três sambas emblemáticos de sua história:

  • Divinas Axilas (1986)
  • Pirâmide 88 (1988)
  • Eco no Ar (1992)

Essas composições contam com a participação de artistas renomados como Lenine, Mu Chebabi e Xico Chaves. Além disso, a bandeira do bloco em 2025 terá quatro estrelas, homenageando figuras importantes que marcaram presença ao longo dos anos: Sylvia Gardenberg, Arnaldo Chain, Mestre Tião Belo e Jards Macalé, este último falecido em novembro.

Legado e impacto no carnaval carioca

Rita Fernandes, presidente da Sebastiana e uma das fundadoras do Imprensa Que Eu Gamo, reflete: “Ao mesmo tempo em que já fica uma pontinha de saudade com o último desfile do Suvaco, há também a certeza da importância que o bloco teve na retomada do carnaval de rua do Rio”. Ela ressalta que o Suvaco abriu portas para uma geração de blocos no início dos anos 2000, como Monobloco e Bangalafumenga, que transformaram a configuração do carnaval de rua.

Fernandes também observa que a despedida do Suvaco reflete um movimento mais amplo de transformação: “Estamos em meio à mudança de um ciclo. Ainda tem espaço para alguns blocos que trabalham no modelo de carro de som, mas a gente já vê nitidamente a mudança de comportamento para um Carnaval mais fluído e menos engessado”.

Museu Virtual e documentário preservam a memória

Para garantir que o legado do Suvaco do Cristo não caia no esquecimento, um Museu Virtual está em preparação. Este acervo digital reunirá fotos dos desfiles, sambas, gravações e outros materiais históricos, com acesso gratuito para pesquisadores e o público em geral. Parte do conteúdo já está disponível no site oficial do bloco.

João Avelleira explicou à Agência Brasil: “Vamos deixar essa memória gravada para que todas as pessoas possam ter acesso”. Ele estima que o museu estará completamente acessível em 2026 e sugere que outros blocos possam seguir o mesmo exemplo de preservação histórica.

Além disso, o desfile final de 2025 será filmado para um documentário, com argumento do jornalista Aydano André Motta, especialista em carnaval, e do roteirista Leonardo Bruno, pela Casé Filmes. Avelleira promete: “A filmagem vai servir de linha para contar os 40 anos da história do Suvaco e o legado que nós vamos deixar também. Vamos terminar em grande estilo”.

Uma despedida histórica no coração do Rio

O Suvaco do Cristo desfila em clima de despedida no Jardim Botânico, encerrando uma era que ajudou a moldar o carnaval contemporâneo do Rio. Com sua irreverência, sambas de qualidade e espírito comunitário, o bloco deixa um legado duradouro que será preservado através do museu virtual e do documentário, assegurando que sua história continue a inspirar futuras gerações de foliões e amantes da cultura carioca.