Superlotação em bloco com Calvin Harris em SP leva prefeitura a mudar esquema de carnaval
Superlotação em bloco com Calvin Harris leva prefeitura a mudar carnaval

Superlotação em bloco com Calvin Harris em SP provoca mudanças na organização do carnaval

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou nesta sexta-feira (13) mudanças significativas na organização dos megablocos de carnaval na Rua da Consolação, após os graves episódios de superlotação e tumulto ocorridos no domingo (8). Os incidentes aconteceram durante as apresentações dos blocos do DJ escocês Calvin Harris e do Acadêmicos do Baixo Augusta, que atraíram multidões além da capacidade do local.

Medidas emergenciais para evitar novos tumultos

Entre as principais alterações anunciadas pelo prefeito está a proibição de paradas dos caminhões de som durante os cortejos. "O caminhão não pode parar pra quem tá lá embaixo não querer subir pra acompanhar o som [e causar tumulto]. Eles têm que saber que o caminhão vai chegar lá. Na semana passada o caminhão ficou 1 hora e 40 parado", explicou Nunes durante coletiva no camarote da Prefeitura no Anhembi.

A Prefeitura também determinou a retirada dos tapumes da Praça Roosevelt, que no pré-carnaval estavam fechando o espaço, para facilitar o escoamento dos foliões no Centro de São Paulo. "Terminou o evento, a gente faz reunião de avaliação [para fazer ajustes], pra ver onde foram os problemas. E, no domingo, o grande problema foi a paralisação do caminhão", afirmou o prefeito.

Debate sobre segurança e uso de gradis

Os episódios de superlotação reacenderam o debate sobre o modelo de segurança adotado para grandes blocos em São Paulo. A capital paulista utiliza gradis de forma contínua ao longo de trechos dos desfiles, criando corredores fechados para circulação e revista do público.

Especialistas ouvidos pelo g1 criticam essa abordagem. "O que a gente viu foi a limitação do espaço com tapume e com gradis amarrados entre si e sem saídas alternativas. Isso foi o grande diferencial errado nesse momento", afirma Mariana Aldrigui, professora e pesquisadora de turismo urbano da USP.

Segundo ela, densidades elevadas de público tornam o risco inevitável. "Seis pessoas por metro quadrado já é uma situação extremamente desconfortável. Se uma pessoa derrapa, a gente passa a ter pisoteamento", explica a especialista.

Falhas no planejamento e resposta institucional

O modelo adotado em São Paulo é mais restritivo do que o aplicado em outras capitais conhecidas por eventos de grande porte, como Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte. Além disso, no domingo (8), dois megablocos aconteceram no mesmo local em horários muito próximos, contrariando as próprias regras da gestão municipal.

Após os episódios, o Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito preliminar para apurar a superlotação e recomendou que a Prefeitura adote medidas de planejamento, controle e fiscalização no uso de áreas públicas durante o carnaval de 2026.

Crescimento do carnaval paulistano

Apesar dos problemas, o prefeito destacou o crescimento do carnaval de rua na capital. "A gente entende que o pré-carnaval foi um grande sucesso, não aconteceu nada grave, e cada vez mais foliões estão procurando São Paulo para curtir o carnaval de rua", avaliou Nunes.

"Se você pegar dez anos atrás, eram apenas cento e poucos blocos. Esse ano 627 blocos", comparou o prefeito, acrescentando: "Cada ano a gente vai ter um número maior de pessoas e a gente vai ter que se adequar na infraestrutura, para acompanhar esse crescimento com a estrutura necessária".

As mudanças anunciadas devem impactar os blocos deste fim de semana de carnaval e também o pós-carnaval, incluindo o bloco 'Pipoca da Rainha', da cantora Daniela Mercury. A Prefeitura promete ainda criar novas rotas de fuga no circuito da Rua da Consolação para melhorar a segurança dos participantes.