Pré-Carnaval de SP começa com 177 blocos e críticas à gestão municipal
Pré-Carnaval de SP tem 177 blocos e críticas à prefeitura

Pré-Carnaval de São Paulo inicia com 177 blocos e polêmicas sobre gestão

O pré-carnaval oficial de São Paulo chegou com força total, marcando o início da temporada festiva na capital paulista. Neste sábado (7) e domingo (8), um total de 177 blocos irão circular pelas ruas da cidade, oferecendo uma prévia da alegria que tomará conta de São Paulo nos próximos dias. Somando todos os períodos de pré-carnaval, carnaval e pós, a expectativa é de que 627 agremiações desfilem pela metrópole, transformando-a em um grande palco de celebração.

Atrações de destaque no fim de semana

Entre as novidades deste ano, destaca-se a presença da cantora Ivete Sangalo, que pela primeira vez estará à frente de um trio em São Paulo. Ela comandará o bloco Quem Pede, Pede no circuito do Parque Ibirapuera, na Zona Sul, com concentração marcada para as 8h. Além disso, blocos tradicionais como Casa Comigo e Acadêmicos do Baixo Augusta também prometem agitar os foliões.

No sábado (7), os destaques incluem:

  • Quem Pede, Pede com Ivete Sangalo, no circuito Ibirapuera, às 8h.
  • Casa Comigo, na Rua Henrique Schaumann, 567, Pinheiros, às 11h.
  • Ritaleena, na Avenida Paulo VI x Praça Marcia Alberti Mammana, Lapa, às 12h.
  • Bicho Maluco Beleza com Alceu Valença, no circuito Ibirapuera, às 14h.
  • Batekoo, no Largo do Paissandu, Sé, às 13h.

No domingo (8), a programação continua com:

  • Acadêmicos do Baixo Augusta, na Rua da Consolação, 2.101, Consolação, às 13h.
  • Bloco Skol, na Rua da Consolação, 1.769, Consolação, às 11h.
  • Monobloco, na Avenida Pedro Álvares Cabral x Obelisco, Vila Mariana, às 15h.
  • Cordão Carnavalesco Confraria do Pasmado, na Rua dos Pinheiros, 1.037, Pinheiros, às 11h.

Críticas à gestão municipal e falta de diálogo

Por trás da animação, no entanto, organizadores dos blocos expressam insatisfação com a prefeitura de São Paulo. Eles criticam a demora na divulgação da programação oficial, o que dificultou o planejamento e a captação de recursos. José Cury Filho, coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que reúne cerca de 200 agremiações, afirma que a incerteza prejudica a organização financeira. “Se o bloco não sabe se vai sair, não consegue vender cota de apoio nem se organizar financeiramente”, explica.

Além disso, há cobranças por mais diálogo entre a gestão municipal e os coletivos de blocos. Em setembro do ano passado, a prefeitura criou a Comissão Especial de Organização do Carnaval de Rua 2026, mas o grupo é formado apenas por secretarias e órgãos municipais, sem participação popular ou representação dos blocos. Para Zé Cury, as decisões da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) são tomadas sem considerar a experiência de quem faz o carnaval acontecer. “O diálogo está absolutamente esquecido. Não há uma autoridade constituída que considere a cultura do carnaval eleita para falar com os coletivos”, reforça.

Thiago França, fundador da Espetacular Charanga do França, complementa que os fazedores de carnaval, com mais experiência, não são escutados no processo. “As gestões são transitórias. Então, sempre as pessoas com mais experiência, que são os fazedores de carnaval, são as que não são escutadas”, diz.

Questões sobre fomento e custos crescentes

Os organizadores também questionam o modelo de fomento municipal, que atende apenas parte dos blocos. Neste ano, somente 100 agremiações foram selecionadas para receber apoio financeiro de até R$ 25 mil cada, totalizando R$ 2,5 milhões em recursos. No entanto, o carnaval de São Paulo movimentou R$ 3,4 bilhões no ano passado, com 16 milhões de foliões e criação de 50 mil empregos. Para os críticos, o retorno em políticas públicas é extremamente baixo, representando menos de 0,07% do total movimentado.

Thais Haliski, organizadora do bloco Acadêmicos da Cerca Frango, relata que os custos para colocar um bloco na rua podem ultrapassar R$ 60 mil, valor muito superior ao fomento oferecido. “O recurso não cobre nem metade do custo real”, afirma. Ela destaca que muitos blocos precisam promover festas pagas e buscar patrocinadores, o que pode descaracterizar a identidade das agremiações devido às contrapartidas exigidas.

Tanto Thais quanto Cury defendem a criação de uma política pública permanente para o carnaval de rua, com regras claras e planejamento antecipado. Eles argumentam que a ausência de legislação específica gera insegurança e desgaste para os organizadores.

Posicionamento da prefeitura

Em resposta, a Prefeitura de São Paulo informa que o cronograma do Carnaval de Rua 2026 segue a programação divulgada desde setembro do ano passado, sem atrasos. A gestão destaca a manutenção da Central Permanente do Carnaval, um canal de diálogo com atendimento presencial e online. Sobre o fomento, a prefeitura afirma que os R$ 2,5 milhões são destinados a um dos segmentos da festa, permitindo que até 100 blocos recebam apoio para produção e difusão das atividades, sem prejuízo de investimentos em outras áreas.

Enquanto a cidade se prepara para celebrar, as discussões sobre gestão e financiamento do carnaval de rua continuam, destacando a tensão entre a festa popular e as políticas públicas municipais.