Olinda implementa regras emergenciais para desfiles de carnaval após disputas por espaço
A prefeitura de Olinda publicou um decreto que regulamenta o desfile de agremiações durante o carnaval, em resposta às polêmicas envolvendo grupos de samba e carros de som no Sítio Histórico da cidade. As novas diretrizes buscam solucionar o impasse entre os blocos e os grupos tradicionais, que denunciaram a disputa do espaço com as baterias e equipamentos sonoros.
Regras transitórias para o carnaval atual
De acordo com o secretário de Cultura de Olinda, Alexandre Miranda, as regras entram em vigor para o carnaval deste ano, mas após as festas devem passar por uma reformulação mais aprofundada. "Essa regra vem transitória porque, assim que terminar o carnaval, a gente volta a discutir essa pauta. Assim como outros assuntos importantes para o carnaval de Olinda", afirmou o secretário.
O decreto foi publicado na quarta-feira (11), véspera da abertura oficial do carnaval da cidade. O posicionamento da gestão municipal surge após a repercussão das declarações de maestros de orquestras de frevo, que atuam há décadas no carnaval olindense. Eles argumentam que a presença de carros de som, "paredões" e baterias de samba com cordões de isolamento pode descaracterizar a festa tradicional e dificultar a circulação das troças.
Medida emergencial e debate futuro
Para Sandro Valongueiro, presidente da Associação das Agremiações de Frevo de Olinda (Afrevo), o decreto funciona como uma medida emergencial. Ele aguarda uma nova reunião em abril e ajustes nas regras prometidos pela prefeitura. "É isso que a associação do Frevo entende como ideal? Não. Nós só topamos participar porque ele é transitório, emergencial, e o município assumiu um compromisso público de discutir isso", explicou.
Valongueiro destacou que outros pontos precisam ser tratados, como o controle urbano, a organização do comércio informal, a iluminação das ruas e a conservação das vias. Ele lembrou que, no ano passado, o Desfile dos Bonecos Gigantes de Olinda, uma das principais atrações culturais, não pôde passar em frente à prefeitura após 36 anos devido a paredões de som que bloqueavam o caminho.
Principais determinações do decreto
O decreto estabelece uma série de normas para garantir a fluidez dos desfiles e preservar o caráter tradicional do carnaval. Entre as principais medidas estão:
- Multa de R$ 10 mil para grupos que impedirem ou dificultarem a passagem de agremiações tradicionais como troças, blocos de frevo, maracatus e afoxés.
- Permissão para uso de carros de som no Sítio Histórico, mas com autorização prévia da prefeitura, solicitada até sexta-feira (13).
- Obrigação de reduzir o volume do som quando uma agremiação tradicional se aproximar.
- Manutenção de, pelo menos, 50 metros de distância entre equipamentos de diferentes agremiações para evitar sobreposição sonora.
- Proibição de pessoas subirem em carros de som, uso de pirotecnia e paradas prolongadas ao longo do percurso.
O secretário de Cultura ressaltou que o debate não termina com o novo decreto. "Em abril, a prefeitura vai convocar novamente as associações, os grupos culturais, toda a sociedade que se interessa pelo carnaval, para que possamos fazer esse debate mais aprofundado", disse Miranda.
Diálogo entre associações
A Afrevo publicou uma nota conjunta com a Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (Acaso), destacando que o diálogo com a prefeitura "representa um passo em direção à construção de acordos que considerem as especificidades de cada manifestação cultural e a preservação do patrimônio material e imaterial de Olinda".
Essa iniciativa busca equilibrar os interesses dos diversos grupos, assegurando que o carnaval de Olinda mantenha sua tradição enquanto acomoda as novas expressões culturais que surgem ao longo dos anos.



