Mocidade Amazonense se prepara para brilhar no Carnaval Santista com enredo indígena
A Mocidade Amazonense, escola de samba sediada em Vicente de Carvalho, no Guarujá, está em contagem regressiva para levar à Passarela do Samba Dráusio da Cruz, em Santos, um espetáculo que promete encantar o público no Carnaval de 2026. Com o samba-enredo intitulado “Enawenê Amazonawê – O Feitiço Da Amazonense Tem Poder”, a agremiação vai enaltecer suas profundas raízes indígenas e explorar a magia do encantamento, criando uma narrativa visual e sonora única.
Enredo celebra cultura indígena e histórias encantadas
O carnavalesco Renan Carvalho detalhou que o desfile será meticulosamente dividido em quatro setores distintos, cada um contando uma parte dessa jornada mística. A abertura trará referências à tribo indígena Enawenê, que habita as margens do Rio Iquê, no Mato Grosso, destacando a conexão ancestral da escola com a Amazônia. Em seguida, o espetáculo passará por histórias clássicas como Adão e Eva e o conto do príncipe que se transforma em sapo, mesclando elementos bíblicos e folclóricos para criar um universo fantástico.
O grand finale será uma emocionante homenagem à bateria Feitiço da Ilha, celebrando o ritmo pulsante que move a comunidade. Com 1.200 componentes distribuídos em 14 alas, além de 3 carros alegóricos e 1 quadripé, a escola busca não apenas entreter, mas também educar sobre a riqueza cultural indígena, em um momento onde tais temas ganham cada vez mais relevância social.
Logística desafiadora e paixão dos integrantes
Um dos maiores desafios enfrentados pela Mocidade Amazonense é a complexa logística para transportar as alegorias até a avenida. As estruturas precisarão atravessar de balsa na segunda-feira, dia 2, mas o carnavalesco Renan Carvalho mantém o otimismo, afirmando que os carros estão em fase final de preparação e tudo está sendo planejado minuciosamente para evitar contratempos.
A paixão pelos preparativos é palpável entre os integrantes. Rosemberg Sousa, analista financeiro e folião de longa data, não esconde a emoção: “É uma ansiedade que não cabe dentro do peito. Estou aqui desde criança e nem sei explicar o amor que sinto pela escola”. Já Vania Lucas, coordenadora da ala das baianas há 43 anos, compartilha sua trajetória dedicada: “Estou aqui há 43 anos. Só está faltando eu ir para a velha guarda, porque eu já fui tudo aqui na escola”.
Busca pela terceira vitória e convocação à comunidade
Fundada em 25 de dezembro de 1972, a Mocidade Amazonense já conquistou o título do Grupo Especial em 1992 e 2009, e agora almeja sua terceira vitória. Pedro Teixeira, mestre de bateria, mesmo com a voz rouca dos ensaios, fez um apelo emocionado à comunidade: “Peço à comunidade que compareça, que acredite que vamos fazer um belo desfile. Seja pavilhão!”.
A escola será a sexta a desfilar no dia 7 de fevereiro, na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, localizada na Avenida Afonso Schmidt, no bairro Castelo, em Santos. O Carnaval santista de 2026 contará com a participação de 15 agremiações, divididas entre os grupos Especial e de Acesso, prometendo uma competição acirrada e cheia de cores.
Letra do samba-enredo reflete magia e tradição
Composto por Mário Lúcio, Fernando Negrão, Gustavo Santos, Márcio Arcas, Luciano Bicudo e Imperial, o samba-enredo da Mocidade Amazonense é um convite à celebração. Trechos como “Toda vez que ouvir o meu tambor, já se sabe quem chegou... Amazonense!” e “Meu pavilhão é amuleto” reforçam a identidade forte da escola. A letra também incorpora elementos da cultura afro-brasileira, com referências a orixás e axé, criando uma fusão rítmica que promete contagiar a avenida.
Com uma narrativa que vai desde “sonho-criança sobrenatural” até o poder da mocidade, o samba encapsula a essência do enredo: a magia que une passado, presente e futuro em um espetáculo inesquecível para todos os amantes do Carnaval.