Mariana Aydar celebra desafios e alegrias de puxar trio elétrico no Carnaval de São Paulo
Criadora do bloco paulistano Forrozin, que reuniu impressionantes 150 mil pessoas no sábado, 7 de fevereiro, a cantora e compositora Mariana Aydar compartilhou com exclusividade os prazeres e as dificuldades de sustentar a folia por horas a fio à frente de um trio elétrico. Paulistana de berço e dupla vencedora do Grammy Latino, Aydar estrelou seu sétimo desfile consecutivo com o bloco que celebra a música nordestina, consolidando-se como uma das principais vozes do Carnaval de rua na capital paulista.
Paixão pelo Carnaval vem de Salvador e inspira criação do Forrozin
"Minha paixão pelo Carnaval de rua vem de Salvador", revela Aydar. "Quando adolescente, fui passar o feriado lá e fiquei completamente apaixonada. Passei toda minha adolescência, dos 15 aos 21 anos, frequentando o Carnaval de Salvador." A cantora destaca que Daniela Mercury foi fundamental nessa jornada, acolhendo-a no Bloco Crocodilo como foliã e depois convidando-a para ser backing vocal de seu trio, experiência que considera um grande aprendizado.
O processo de idealização do Forrozin em São Paulo nasceu do desejo de trazer para sua cidade a vivência carnavalesca de Salvador, combinada com a celebração da cultura nordestina. "A gente deve muito celebrar a cultura nordestina", enfatiza Aydar. "São Paulo só é São Paulo por causa dos nordestinos, então acredito que seja uma celebração a eles." O bloco, que estreou em 2018, rapidamente ganhou espaço no calendário festivo da cidade.
Crescimento do Carnaval paulista e desafios de puxar um trio
Aydar observa que o Carnaval de São Paulo vem crescendo significativamente a cada ano, com marcos importantes como a estreia de Ivete Sangalo na cidade neste ano. "Dividir o dia com essa mestra é um grande presente para nós, porque ela é uma rainha", comenta a cantora, que também destaca a presença de Alceu Valença.
Sobre os desafios de comandar um trio elétrico, Aydar é categórica: "Não é fácil puxar um trio, você tem que ter muita responsabilidade, presença, preparo físico, emocional e espiritual." Ela expressa admiração renovada pelas puxadoras de Salvador e Recife, que costumam comandar blocos por quatro dias seguidos, exigindo enorme preparo vocal. "Quando eu comecei a puxar o bloco de fato, meu respeito por todas essas puxadoras de trio aumentou muito", reconhece.
Influências musicais e conexão profunda com o forró
As influências de Aydar no cenário musical são profundamente enraizadas na música nordestina. "O forró entrou na minha vida muito cedo, porque minha mãe foi empresária de muitos artistas, como o Luiz Gonzaga", conta. "Eu era muito pequena quando o conheci, tinha por volta de 6 anos. Ele me deu uma boneca e me levou ao shopping, então eu tive essa grande sorte de o forró ter entrado na minha vida por essa porta."
Além de Gonzaga, ela cita Dominguinhos como influência fundamental, mas ressalta que continua sendo impactada por novos artistas. "Sou sempre atravessada pela música brasileira. Isso me vibra o coração, porque é o que eu amo e ouço sempre", emociona-se.
Receptividade do forró em São Paulo e momentos marcantes
Aydar acredita que o forró sempre foi bem recebido em São Paulo, especialmente pela contribuição histórica dos nordestinos na construção da cidade. "Eles trouxeram consigo a cultura do forró", lembra, citando o famoso forró do Pedro Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, e o posterior boom do forró universitário.
Entre os momentos mais marcantes como puxadora de trio, destaca o primeiro ano do Forrozin, em 2018, quando foi apadrinhada por Gilberto Gil. "Essa foi a primeira vez que ele veio para um Carnaval em São Paulo e acabou se encantando também", recorda. "Ser apadrinhada pelo Gil foi algo que eu nunca vou esquecer na minha vida e que segue no meu coração toda vez que eu entro na avenida."
Projetos futuros e celebração de 20 anos de carreira
Olhando para frente, Aydar revela que vai começar um novo disco este ano, marcando seus 20 anos de carreira. "É muito legal olhar para trás e ver tudo que a gente construiu e tudo aquilo que eu ainda tenho vontade de fazer", reflete. "Tenho que celebrar, porque 20 anos não são 20 dias."
Seus planos incluem compor com muito afeto, explorando ainda mais o forró que considera sua casa e aconchego. "Já realizei muitos sonhos, mas a música sempre segue nos surpreendendo e dando aquele 'gostinho' engraçado do começo", finaliza, com entusiasmo renovado para as próximas aventuras musicais.



