Tradição da Malhação de Judas se renova com protesto social no bairro da Cremação em Belém
Moradores do bairro da Cremação, em Belém, mantiveram viva neste sábado de Aleluia uma tradição popular que atravessa gerações: a malhação de Judas. A programação, que ocorre há aproximadamente 50 anos, reuniu crianças, jovens e adultos em um momento vibrante de celebração e reflexão, reforçando a importância cultural dessa prática para a comunidade local.
Origem e significado do ritual
O ritual simboliza a punição de Judas Iscariotes, conhecido por trair Jesus Cristo, e consiste em espancar e, em muitos casos, queimar um boneco feito de pano ou palha. Ao longo do tempo, o ato passou a representar não apenas a condenação simbólica da traição, mas também uma forma de protesto popular e expressão coletiva diante de questões sociais relevantes.
Evento na Cremação: localização e atividades
Em Belém, o ato ocorreu nas imediações da avenida Alcindo Cacela com a passagem Fernando Guilhon, onde, desde as primeiras horas do dia, a comunidade participou ativamente de atividades recreativas e culturais. Entre as brincadeiras tradicionais, destacaram-se a distribuição de cana-de-açúcar, o quebra-pote e outras ações voltadas principalmente ao público infantil, criando um ambiente festivo e inclusivo.
Mensagens sociais e adaptação do boneco
Neste ano, além do caráter festivo, o evento também chamou atenção pelas fortes mensagens sociais incorporadas. O boneco de Judas, tradicionalmente associado à figura simbólica do traidor, foi adaptado para representar um criminoso, com críticas diretas à violência contra a mulher. Cartazes e mensagens exibidos durante o evento destacaram o combate ao feminicídio, reforçando que esse tipo de crime não deve ser tratado como passional, mas enfrentado com conscientização e justiça.
Entre os temas abordados, também se incluiu o combate ao racismo, ampliando o escopo da manifestação para questões de igualdade e direitos humanos. O ponto alto da programação foi o momento em que o boneco foi exposto e malhado pelos participantes, simbolizando a rejeição coletiva a práticas violentas e injustas na sociedade.
Resistência e ressignificação da tradição
Apesar do calor intenso durante a tarde, a animação dos moradores seguiu forte, demonstrando a vitalidade e o compromisso da comunidade com essa tradição. Com o passar dos anos, a malhação de Judas na Cremação foi ressignificada, passando a incorporar críticas sociais agudas e se consolidando como um espaço valioso de manifestação popular e conscientização.
Essa evolução mostra como práticas culturais antigas podem se adaptar aos tempos modernos, servindo como ferramenta para discutir e enfrentar problemas contemporâneos, enquanto mantêm viva a identidade cultural do bairro e fortalecem os laços comunitários.



