O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está considerando uma iniciativa inédita para o Carnaval de 2026, que promete movimentar o cenário político e cultural do país. Segundo fontes do Palácio do Planalto, Lula avalia realizar um tour pelas três principais capitais que celebram a festa popular brasileira, com paradas planejadas em Recife, no Rio de Janeiro e em Salvador.
Roteiro presidencial em estudo para as festividades
O Carnaval de 2026 ocorrerá entre os dias 14 e 18 de fevereiro, e o roteiro em análise inclui participações em eventos tradicionais. Conforme um auxiliar do presidente, Lula recebe convites anuais para festas de Carnaval em todo o Brasil e, em 2026 – ano eleitoral –, resolveu tentar atender a algumas dessas solicitações. A previsão inicial é que o presidente participe do tradicional desfile do Galo da Madrugada, no Recife, no sábado de Carnaval, 14 de fevereiro.
O tema do desfile deste ano será "Frevo no Planeta Galo", com o maior bloco do mundo levando às ruas do Centro do Recife uma apresentação focada na conscientização ambiental e na celebração da fauna e flora brasileiras. Ainda não há definição sobre qual evento Lula poderá participar em Salvador, mas a ideia do tour já está sendo discutida internamente.
Homenagem no Rio gera polêmica e ações da oposição
Em seguida, o presidente deve desembarcar no Rio de Janeiro para assistir ao desfile da Acadêmicos de Niterói. A agremiação, fundada em 2018, vai contar a trajetória de Lula em seu samba-enredo, intitulado "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". A escola será a primeira a desfilar na Sapucaí no domingo de carnaval, 15 de fevereiro de 2026, abrindo a programação do Grupo Especial, com uma narrativa que vai desde a infância do presidente no sertão de Pernambuco até sua chegada à Presidência da República.
Reações políticas e questionamentos jurídicos
Essa homenagem ao presidente da República tem sido alvo de críticas e ações da oposição. Partidos como PL e Novo entraram na Justiça para tentar barrar o desfile, alegando uso político indevido. Na última sexta-feira (30), o ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói exibiu nos telões provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro, intensificando as reações de políticos de direita.
A senadora Damares Alves (Republicanos) protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral, pedindo que a agremiação seja responsabilizada por supostamente usar dinheiro público para fazer "a promoção pessoal de candidato à Presidência da República, bem como efetuar propaganda eleitoral de forma antecipada". O caso chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU), onde o auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal não pague o valor de R$ 1 milhão previsto em acordo de cooperação entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) para a Acadêmicos de Niterói.
Posicionamento da Embratur e autonomia artística
A recomendação atende a um pedido de seis deputados federais do partido Novo, que alegam desvio de finalidade no uso de recursos públicos. Em nota, a Embratur informou que prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro e reiterou que não interfere na escolha dos enredos, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações. A instituição disse ainda que não foi formalmente notificada pelo TCU, mas está à disposição para prestar esclarecimentos.
Essa movimentação presidencial no Carnaval de 2026, combinada com a polêmica em torno da homenagem no Rio, destaca a interseção entre política, cultura e eleições, prometendo ser um dos temas quentes do período festivo.