Moradores de Itapetininga brilham em série sobre desastre do Césio-137 em Goiânia
Itapetininga participa de série sobre acidente radiológico em Goiânia

Moradores de Itapetininga brilham em série sobre desastre do Césio-137 em Goiânia

A minissérie "Emergência Radioativa", lançada recentemente por uma plataforma de streaming e inspirada no maior acidente radiológico da história do Brasil, ocorrido em 1987 em Goiânia (GO), está entre as mais assistidas do país. Parte das cenas foi gravada no interior de São Paulo, com destaque para a participação de moradores de Itapetininga, que atuaram como figurantes e elenco de apoio.

Do casting às cenas: a trajetória de Paulo Carriel

O ator Paulo Carriel, natural de Itapetininga, foi inicialmente convidado para atuar como produtor de casting da série, responsável por levar mais de 100 pessoas às gravações. Durante o processo, ele recebeu um texto para teste de elenco de apoio, gravou duas cenas e foi selecionado para integrar a produção. "Foi uma experiência muito legal. Eu sou do teatro há mais de 30 anos e, mesmo assim, é diferente estar no set, dividir espaço com atores que a gente admira", afirmou Carriel.

Na cena em que aparece, Carriel contracena com Johnny Massaro, que interpreta um cientista tentando localizar um ônibus contaminado pelo Césio-137. "Na minha cena, ele entra no ônibus e o aparelho começa a apitar bem alto quando se aproxima de mim. Aí eu olho para ele e digo: 'Ei, que diabo é isso?'", relatou o ator.

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Figurantes locais e histórias inspiradoras

Além de Carriel, outros moradores de Itapetininga participaram das gravações. A aposentada Sueli Maria Lopes, de 72 anos, descobriu o teatro aos 70 e viu a oportunidade como transformadora. "Me dediquei bastante, aprendi muito e perdi a vergonha de falar em público. O teatro melhorou minha autoestima", celebrou.

Amanda Cristina, também de Itapetininga, atuou como figurante na sequência do ônibus. "Foi uma experiência muito especial poder acompanhar de perto toda a produção de uma série. A equipe foi extremamente cuidadosa com cada detalhe", disse. A atriz Malu Terra destacou o impacto emocional das gravações: "Cena impactante. Foram quatro dias de gravação muito especiais para mim, porque eu pude estar perto de pessoas que admiro".

Desafios das gravações no interior

As filmagens, que duraram cerca de dois meses, exigiram um esforço maior para reunir figurantes e elenco de apoio no interior paulista. "Em São Paulo é mais fácil, porque tem gente que vive disso, mas no interior é diferente, já que as pessoas têm outros trabalhos. E as gravações eram intensas, muitas vezes à noite, com jornadas de até 12 horas", explicou Carriel. Em média, 300 figurantes participavam por dia, com cenas gravadas em locais como o Estádio Municipal "Walter Ribeiro" em Sorocaba, que recriou a quarentena dos contaminados.

O poder transformador da arte

Carriel, que perdeu os pais na adolescência, enfatizou o papel salvador do teatro em sua vida. "O teatro salvou a minha vida. A arte salva mesmo. A gente vê pessoas que começam o curso tomando medicamentos, enfrentando crises, e terminam muito melhores", afirmou. Sueli Lopes ecoou esse sentimento, destacando como a experiência artística ampliou seus horizontes.

Contexto histórico do acidente do Césio-137

A minissérie retrata o desastre de 1987, quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em Goiânia, espalhando material radioativo. O acidente resultou em quatro mortes diretas, 249 pessoas contaminadas e 6 mil toneladas de rejeitos radioativos, armazenados em Abadia de Goiás. Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (CARA) continua monitorando a saúde das vítimas e seus descendentes.

A participação dos moradores de Itapetininga não apenas enriqueceu a produção, mas também destacou o talento local e a importância da arte como ferramenta de transformação pessoal e comunitária.

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