A Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à Arquidiocese de Santarém, no oeste do Pará, prepara um lançamento cultural significativo para esta sexta-feira, dia 6. A organização apresenta ao público o filme intitulado "Mulheres que Sustentam a Amazônia", uma produção audiovisual que busca amplificar as vozes das mulheres que habitam e resistem nos territórios amazônicos.
Detalhes do evento de lançamento
A exibição do filme está marcada para as 16 horas, no auditório da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), situado na Avenida Marechal Rondon, no bairro Caranazal, em Santarém. O acesso ao evento é completamente gratuito, e a classificação indicativa é livre, permitindo a participação de pessoas de todas as idades. Esta iniciativa visa envolver a comunidade local em uma reflexão profunda sobre temas cruciais para a região.
Conteúdo e protagonistas do filme
O filme reúne depoimentos emocionantes de mulheres provenientes de duas localidades específicas: a Comunidade do Jatobá, localizada no município de Mojuí dos Campos, e o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Serra Azul, em Monte Alegre. Através dessas narrativas, a obra cinematográfica retrata de forma vívida o cotidiano, os saberes tradicionais, o cuidado dedicado à família e a relação íntima que essas mulheres mantêm com o território amazônico.
Mais do que um simples registro histórico, o filme tem como objetivo central evidenciar o papel fundamental desempenhado pelas mulheres na sustentação da vida, da cultura e da resistência na Amazônia. As vozes que conduzem a narrativa emergem diretamente da roça, da floresta e do coração das comunidades, revelando um cuidado que transcende as tarefas diárias. Este cuidado é apresentado como um modo de vida, transmitido entre gerações, que preserva elementos essenciais como:
- A saúde, através do uso de plantas medicinais e práticas de cura herdadas das avós.
- A memória coletiva, mantendo viva a identidade cultural das comunidades.
- A educação dos filhos, vista como um ato de proteção para garantir que as novas gerações não percam suas raízes.
- O afeto comunitário, fortalecendo os laços sociais e a solidariedade.
Resistência e defesa do território
A produção destaca que, para essas mulheres, o cuidado assume um ritmo constante, comparável ao cultivo da terra: plantar, proteger, esperar e colher. Os saberes tradicionais não são apenas técnicas, mas expressões de resistência e identidade, que ajudam a enfrentar os desafios impostos pelo mundo exterior.
Além disso, o filme evidencia a luta incansável das mulheres pela defesa do território. Este território é compreendido não apenas como um espaço físico, mas como uma extensão de seus próprios corpos e histórias. Elas não lutam simplesmente por um pedaço de terra, mas pelo direito de existir com segurança, garantindo que a floresta e os frutos plantados hoje permaneçam de pé para as futuras gerações. A coragem retratada na obra não é definida pela ausência do medo, mas pela decisão diária de enfrentá-lo, mostrando a resiliência dessas protagonistas.
Apoio e convite à reflexão
A realização do filme contou com o apoio fundamental de instituições como a Missio e a Misereor, enquanto o lançamento recebe o suporte do Fundo Casa Socioambiental. O evento é aberto ao público e convida especialmente a comunidade acadêmica, agentes pastorais, movimentos sociais e a sociedade em geral a participarem de uma reflexão coletiva sobre o protagonismo feminino e a defesa da vida na Amazônia.
Esta iniciativa representa uma oportunidade única para compreender melhor as dinâmicas sociais e culturais da região, destacando como as mulheres são pilares essenciais na preservação ambiental e na manutenção das tradições locais. Ao dar voz a essas histórias, o filme contribui para um diálogo mais amplo sobre sustentabilidade, direitos humanos e a importância da diversidade na construção de um futuro mais justo para a Amazônia.