Festival LED inicia no Recife com foco no cinema como ferramenta educacional
O Festival LED — Luz na Educação teve início na manhã desta terça-feira (24) no Recife, reunindo uma diversidade de artistas, jornalistas e especialistas para debater as conexões entre a educação brasileira, o empreendedorismo e o cinema. A abertura do evento na capital pernambucana marcou o começo de uma programação intensa que se estende ao longo do dia, atraindo estudantes de várias escolas da região metropolitana e do interior do estado.
Estudantes ocuparam o espaço para acompanhar as discussões e interagir com os convidados, como Daniel Demétrio, de 15 anos, aluno da Escola Técnica Porto Digital, no Centro do Recife, e morador de Peixinhos, em Olinda. Ele viu no festival uma oportunidade valiosa para explorar futuras possibilidades de atuação profissional. “A gente entende a história do cinema, como a tecnologia abraça [a área] com câmeras, filmagem, edição… A gente se beneficia tanto do aprendizado, ao ver a história pelos filmes, tanto pela inserção no mercado de trabalho, porque é uma área muito grande, muito abrangente”, comentou o jovem.
Evento promovido por Globo e Fundação Roberto Marinho chega ao Recife
Em sua oitava edição, o festival é promovido pela TV Globo e pela Fundação Roberto Marinho em parceria com o Sebrae, tendo passado anteriormente por cidades como Rio de Janeiro, Belém e Belo Horizonte. Pela primeira vez no Recife, o evento acontece no Teatro Luiz Mendonça, localizado no Parque Dona Lindu, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul da capital.
Luana Carvalho, professora de biologia da Escola Técnica Porto Digital, destacou a importância da participação: “Eu escolhi estar aqui hoje para a renovação, para me empolgar profissionalmente e aprender um pouco, porque a vida é assim, um tanto de aprendizado, e a gente tem que levar isso para a sala de aula junto com as nossas vivências”.
Abertura cultural celebra manguebeat e cinema pernambucano
O encontro começou com uma vibrante apresentação cultural do mestre Maciel Salu e Gerlane Lopes, que trouxeram frevo, forró, maracatu e os bonecos gigantes de Chico Science, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho. Essas figuras representaram o manguebeat e o cinema pernambucano, com destaque para o filme “O Agente Secreto” (2025), premiado internacionalmente e recentemente indicado ao Oscar.
Na mesa de abertura, intitulada “O Brasil que se filma é o Brasil que se aprende”, a discussão sobre a relevância do cinema no contexto educacional ganhou contornos iniciais. O debate foi conduzido pela jornalista e apresentadora da GloboNews Aline Midlej, com contribuições do autor e roteirista George Moura, da atriz Hermila Guedes, da gestora cultural Liliana Magalhães e do cineasta Lírio Ferreira.
Especialistas defendem cinema como instrumento pedagógico
George Moura, recifense indicado seis vezes ao Emmy Internacional e autor da novela “Guerreiros do Sol”, disponível no Globoplay, enfatizou a importância de aproveitar a projeção recente do audiovisual pernambucano como ferramenta educacional. “A gente está vivendo um momento pleno, de visibilidade, sobretudo. A gente já existe há muito tempo, mas faz pouco tempo que a gente está sendo visto, isso é a grande diferença. [...] O cinema, assim como o movimento LED, que é luz na educação, também precisa de uma luz para ser projetado. O audiovisual pode e deve ser um grande instrumento”, afirmou o roteirista.
Liliana Magalhães, gestora cultural e sócia diretora da Somos Cultura e Comunicação, ressaltou a necessidade de políticas públicas para valorizar profissionais qualificados em educação e cinema. “É preciso uma ação mais efetiva, uma política pública aliada ao prestígio de cine-educadores. Uma gente maravilhosa com especialidade de trabalhar o cinema na sala de aula, não só como ferramenta, mas como uma essência crítica. Tem uma série de benefícios no aprendizado”, disse.
Cinema como aprendizado pessoal e profissional
Hermila Guedes, atriz natural de Cabrobó, no Sertão de Pernambuco, que interpretou Cláudia em “O Agente Secreto” (2025), compartilhou como o cinema foi uma oportunidade para aprender sobre a história de sua terra. “Eu vim conhecer mais da história de Pernambuco fazendo cinema. As personagens que eu fiz foram muito importantes para minha formação pessoal e educacional também. Eu me vejo uma pessoa muito melhor hoje, mais preparada profissionalmente, assim como mulher. [...] Meu sonho foi ser mãe a vida inteira. E o cinema me deu tudo isso”, relatou.
O cineasta Lírio Ferreira, conhecido por obras como Árido Movie (2005), Sangue Azul (2014) e Baile Perfumado (1996), acredita que o cinema brasileiro, especialmente em Pernambuco, vive o momento ideal para se consolidar como ferramenta de ensino. “O audiovisual pernambucano, nessa década de 20, completa 100 anos. Em 1925, houve um ciclo de cinema aqui, chamado Ciclo do Recife, onde foram produzidas três longas metragens. [...] Eu acredito que seja o momento ideal para a gente, de fato, consolidar essa proposta de levar o cinema para um lugar que conversa muito bem com a educação”.
Programação da tarde inclui homenagens e oficinas
A programação do festival continua na tarde desta terça-feira com diversas atividades, incluindo:
- 13h30 às 14h45: Homenagem a Nita Freire e mesa “Quem cultiva criatividade, cultiva futuros?” no Palco LED Inspira/Teatro Luiz Mendonça.
- 15h15 às 16h30: Entrevista sobre desinformação e mesa sobre cultura empreendedora no mesmo local.
- 15h30 às 17h30: Visita guiada “A cidade no cinema de Kleber Mendonça Filho”, com ponto de encontro no credenciamento do festival.
- 16h30 às 18h30: Oficina “Conectados com responsa: educação digital pra crescer com segurança” na LED Cria/Sala Praça.
- 17h às 18h: Mesa “Educar pela memória: Chico Science como patrimônio vivo” no Palco LED Inspira/Teatro Luiz Mendonça, com participação especial de Louise França, filha de Chico Science.
O Festival LED no Recife promove um diálogo essencial entre educação e cinema, destacando o potencial transformador do audiovisual na formação de jovens e na valorização da cultura local.



