Cinema Olympia em Belém avança em restauração histórica para reabertura em 2026
O Cine Olympia, reconhecido como o cinema mais antigo em atividade do Brasil, celebra 114 anos de história nesta sexta-feira (24), enquanto passa por um ambicioso processo de restauração em Belém. A prefeitura municipal anunciou que as obras estão 80% concluídas, com a reinauguração planejada para o segundo semestre de 2026, prometendo reconectar a "Paris na América" ao cinema moderno.
Resgate arquitetônico e histórico
Inaugurado em 1912, durante o auge do ciclo da borracha, o Olympia resiste como um símbolo da Belle Époque na capital paraense, exibindo um estilo eclético que mistura influências neoclássicas, art nouveau e art déco. Fechado em 2020 devido a problemas estruturais, o projeto de restauração já resgatou o arco original da fachada, que estava camuflado por décadas, graças a uma descoberta feita durante inspeções detalhadas.
Coordenado pelo Instituto Pedra, com financiamento público e privado, o projeto inclui:
- Reforço no telhado para garantir estabilidade
- Restauração das pinturas e esquadrias originais
- Atualização das instalações elétricas
- Acabamentos que preparam o espaço para projeções de última geração
A engenheira Gabriela Cascais explicou que a fase final avança rapidamente, focando em instalações e acabamentos que modernizam o cinema sem perder sua essência histórica.
Novas funcionalidades e preservação da memória
O novo Olympia será transformado em um espaço multifuncional, com 255 poltronas – uma redução das 400 originais – para oferecer maior conforto e versatilidade. Além disso, o cinema contará com:
- Um bar envidraçado que integra o ambiente
- Uma sala de memória dedicada à história do local
- Exposição de itens históricos, como um piano do cinema mudo e um projetor antigo, adquiridos pela prefeitura
O arquiteto Jorge Pina, da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), destacou a importância do projeto para o resgate da herança cultural, garantindo que novas gerações possam apreciar e aprender com esse patrimônio.
Da borracha à sétima arte: uma trajetória de resistência
Idealizado por Antônio Martins e Pedro Teixeira, o cinema nasceu ao lado do Theatro da Paz, evoluindo desde as exibições mudas acompanhadas por piano até os blockbusters sonoros. A secretária de Cultura, Raphaela Segadilha, descreve a obra como um "renascimento cultural", que preserva as memórias de Belém enquanto educa a população sobre a importância do patrimônio histórico.
A restauração do Cine Olympia não apenas alinha técnicas modernas à preservação histórica, mas também impulsiona a revitalização do centro histórico de Belém, reforçando o papel da cidade como polo cultural na região Norte do Brasil.



