Alexandria cancela tradicional mela-mela no Carnaval de 2026 devido à crise hídrica no RN
A cidade de Alexandria, localizada no Alto Oeste potiguar, anunciou o cancelamento do tradicional "mela-mela" previsto para o Carnaval de 2026. A decisão foi tomada pela prefeitura após uma recomendação formal do Ministério Público do Rio Grande do Norte, que levou em consideração o grave cenário de escassez de água que assola a região.
Contexto de seca severa e racionamento de água
Normalmente, durante o carnaval, foliões participam do mela-mela, se molhando com produtos como farinha e água. No entanto, o MP destacou que Alexandria enfrenta um racionamento de água extremo, com fornecimento disponível apenas uma vez por semana para a população. Nesse contexto, o órgão afirmou que a prioridade absoluta deve ser o consumo humano e a dessedentação de animais, evitando qualquer desperdício ou uso recreativo de água potável.
O Rio Grande do Norte registra atualmente 127 cidades em situação de emergência devido à seca, o maior número entre os estados do Nordeste. Isso reforça a necessidade de medidas urgentes para preservar os recursos hídricos disponíveis.
Recomendações do Ministério Público e resposta da prefeitura
O Ministério Público recomendou especificamente que a cidade evite atividades que envolvam o lançamento, desperdício ou uso recreativo de água potável em vias públicas durante o período carnavalesco. Além disso, sugeriu o reforço de ações de conscientização ambiental entre a população e participantes da festa.
Em nota oficial, a Prefeitura de Alexandria reafirmou seu compromisso com a legalidade, a responsabilidade administrativa e a proteção do meio ambiente. A gestão municipal destacou que o Carnaval Tradição de Alexandria continuará ocorrendo em 2026, mas com outras atrações culturais e musicais, organizadas de forma segura e em conformidade com as normas legais vigentes.
Fiscalização intensificada e orientações para a população
O MP também recomendou que a prefeitura intensifique a fiscalização nas ruas durante o Carnaval, com o objetivo de impedir práticas como o uso recreativo de mangueiras, carros-pipa ou hidrantes. Blocos de rua e a iniciativa privada devem ser orientados sobre a proibição do uso irracional da água, sob risco de responsabilização administrativa e ambiental.
O descumprimento dessas orientações pode resultar na adoção de medidas judiciais pelo Ministério Público, incluindo o ajuizamento de Ação Civil Pública. A prefeitura pediu compreensão e apoio de toda a população durante a festa, enfatizando a importância de colaborar com as medidas de conservação de água.
Essa decisão reflete um esforço conjunto para enfrentar a crise hídrica, priorizando o bem-estar da comunidade e a sustentabilidade ambiental em meio às celebrações carnavalescas.