Carnavalesco da Acadêmicos de Niterói detalha enredo sobre Lula e responde a críticas
Carnavalesco da Acadêmicos de Niterói fala sobre enredo de Lula

Carnavalesco da Acadêmicos de Niterói detalha enredo sobre Lula e responde a críticas

Tiago Martins, carnavalesco da Acadêmicos de Niterói, conversou com a coluna GENTE sobre o polêmico enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile da escola na Marquês de Sapucaí. Em seu terceiro ano à frente da agremiação, estreante no Grupo Especial, Martins abordou as curiosidades da apresentação e como a política estará presente na avenida.

Da infância em Garanhuns aos programas sociais

A apresentação da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí irá percorrer a trajetória de Lula, desde a infância do pequeno Luiz Inácio em Garanhuns, Pernambuco, onde havia um pé de mulungu que servia de brincadeira, até a viagem de pau de arara para São Paulo. O samba-enredo menciona as “13 noites e os 13 dias” de viagem ao lado da mãe, dona Lindu. Os tempos de metalúrgico, a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e os programas sociais dos governos de Lula também serão parte da narrativa.

Como surgiu a ideia de homenagear Lula? Martins revelou que a escola tinha outros enredos em mente, incluindo algo com patrocínio, mas não foi possível. “O presidente Wallace Palhares veio com a ideia, no meio de tantas homenagens, falar de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República”, explicou. A aprovação veio após contato com a assessoria de Lula, permitindo o uso do nome no título e a inclusão de depoimentos de familiares e biógrafos.

A construção dos setores e a emoção de Lula

Martins, que vem de uma família do interior, destacou como a história da infância e da fome tocou profundamente sua sensibilidade. “Por que não trazer esse mundo fantástico da criança? O pé de mulungu, que ele tinha no quintal de casa, era o meio de brincadeira dos irmãos e primos. Toda vez que ele subia nesse pé de mulungu, se sentia um rei”, contou. Daí veio o título do enredo: “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança Lulo Operário do Brasil”.

O desfile será dividido em setores que cobrem desde a saída de Garanhuns até a chegada em São Paulo, passando por períodos como engraxate e operário. O quarto setor abordará benefícios e projetos, enquanto o último, ainda em reformulação, focará no Brasil soberano e no Lula do povo. “Termina nas cores verde, amarelo, azul e branco para mostrar que essa bandeira não é de um partido, e sim do povo, essa bandeira é do Brasil”, afirmou Martins.

Encontro emocionante e defesa contra críticas

O carnavalesco descreveu o encontro com Lula para apresentar o enredo como um momento marcante. Na primeira reunião, quando a escola foi cantar o samba, Lula já chegou brincando, mas Martins confessou ficar nervoso. “Ele veio, me abraçou e beijou. A gente entregou uma camisa, ele abriu, tirou o blazer, colocou na mesma hora e sentou”, relembrou. Lula pediu chopp e petiscos para todos, e ao ouvir o samba, olhou página por página da apresentação, chorando no final.

Sobre o receio de parecer campanha política, Martins foi enfático: “O enredo é uma homenagem, como todos os outros. Não é algo político, não é campanha. A gente tem todo o cuidado com o slogan, com o nome que foi feito em algum tipo de campanha”. Ele reforçou que a escola conta a trajetória de um dos maiores políticos do Brasil, sem viés partidário.