Carnaval de Belo Horizonte: Coletivos locais criticam priorização de megaeventos e artistas nacionais
Ligas, associações, blocos de rua e coletivos carnavalescos de Belo Horizonte divulgaram uma nota de repúdio contra o que chamam de priorização de mega eventos e iniciativas artísticas de fora de Minas Gerais. A manifestação ocorre em meio ao anúncio de diversas atrações nacionais no Carnaval de BH, como Luísa Sonza, Marina Sena, Xamã, Michel Teló e Clayton e Romário.
Críticas ao modelo atual de gestão pública
As entidades afirmam que, enquanto os cortejos de rua, diversificados e espalhados por todas as regionais, seguem com apoio escasso e sem políticas permanentes de fomento, assistem ao anúncio de artistas de projeção nacional na programação oficial. A maioria sem qualquer ligação orgânica com a cena carnavalesca local, destaca a nota.
Elas ressaltam que o carnaval da capital se tornou o terceiro destino turístico do país porque foi erguido pelos seus artistas, artesãos, produtores, técnicos, ambulantes e foliões. No entanto, o atual modelo de gestão pública tem priorizado a lógica dos grandes shows, esvaziando os territórios, precarizando trabalhadores da cultura e desvirtuando o espírito comunitário da folia.
Escasso apoio público e falta de patrocínios privados
Os blocos e artistas locais convivem com escasso apoio público e a falta de patrocínios privados, mesmo com empresas lucrando enormemente com a cidade lotada de foliões locais e turistas. As entidades ainda lembram os episódios de violência registrados no show do DJ Alok, no carnaval de 2025, dizendo que evidenciam os riscos desse modelo de megaeventos superconcentrados e financiados com recursos públicos.
Por fim, os coletivos pedem:
- Transparência nos critérios de aplicação dos recursos
- Participação social nas decisões
- Um modelo de carnaval que valorize e invista nos blocos de rua, escolas de samba e blocos caricatos
Essas iniciativas fazem a festa acontecer nas ruas, de forma descentralizada e popular. A nota foi assinada pela Liga Belorizontina, pela Santa Tereza Independente Liga (Si Liga), pela Liga dos Blocos de Rua e de Luta de Belo Horizonte (Bruta), pela Associação dos Blocos de Rua de BH (Abra) e pela Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais (Abafro).
Posicionamento da Belotur
Em resposta, a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) afirmou que não há qualquer priorização de megaeventos nem investimento de recursos públicos municipais em atrações nacionais no Carnaval de Belo Horizonte. A entidade disse que, em 2026, os blocos de rua receberam R$ 3,21 milhões, valor que representa um aumento superior a 16% em relação ao ano anterior.
Já para os desfiles de passarela, o investimento total é de R$ 3,78 milhões, um acréscimo de quase 11% quando comparado à última edição da festa. As contratações de artistas de fora da cidade ou do estado são realizadas diretamente pelos organizadores dos blocos, com recursos próprios ou provenientes de parcerias privadas, explicou a Belotur.
A empresa destacou ainda que o crescimento do carnaval da cidade ampliou naturalmente o interesse de artistas de diferentes portes e que os blocos têm autonomia para buscar patrocínios e parcerias. A Belotur reforçou que não compete ao poder público municipal interferir, direcionar ou vetar escolhas artísticas feitas pelos organizadores, desde que estejam em conformidade com a legislação vigente e com as normas estabelecidas para a realização do Carnaval.