Carnaval 2026 em Belém: oito escolas de samba desfilam com temas de fé e ancestralidade
As duas noites dos desfiles das escolas de samba do grupo especial de Belém agitaram intensamente a Aldeia Amazônica na Pedreira, nesta sexta-feira (27) e neste sábado (28). Ao todo, oito agremiações, quatro em cada dia, levaram à avenida enredos profundamente marcados por fé, ancestralidade e história, em busca do cobiçado título do Carnaval 2026. O público marcou presença massiva e garantiu a animação contagiante, mesmo sob condições de chuva persistente.
"Com chuva ou sem chuva, o Carnaval de Belém é maravilhoso. Eu torço por todas as escolas, porque o carnaval para mim é tudo", relatou com entusiasmo uma das espectadoras, Joana Evangelista, encapsulando o espírito da festa.
Primeira noite de desfiles: celebração da cultura popular e resistência
A Associação Carnavalesca Xodó da Nega abriu os desfiles do primeiro dia, na sexta-feira (27), e levou à avenida o enredo "Eu vou me banhar de manjericão nas terras da Cremação". A proposta celebrou vibrantes tradições, símbolos icônicos e a identidade cultural do bairro da Cremação, em um desfile marcado pela força inabalável da cultura popular.
Logo depois, foi a vez da Associação Carnavalesca Social Beneficente Embaixada do Império Pedreirense, que apresentou o enredo "Xapuri, Pará, Paris, ulalá mon chéri – A Embaixada canta Nazaré Pereira". O desfile prestou uma homenagem emocionante à cantora Nazaré Pereira, destacando sua trajetória inspiradora e a contribuição fundamental da artista para a cultura amazônica.
A Acadêmicos de Samba da Pedreira foi a terceira escola a se apresentar. Com o samba-enredo trazendo o tema "Quem disse que acabou?", a escola homenageou a força do samba como identidade popular e como forma de resistência cultural.
Em seguida, para fechar o primeiro dia com chave de ouro, a Bole-Bole emocionou profundamente o público ao desfilar com o enredo "Mãe Josina do Guamá: o solo sagrado da cultura popular". A homenagem é dedicada à líder religiosa Mãe Josina de Averequete, fundadora do terreiro mais antigo de Belém e símbolo máximo da ancestralidade afro-paraense.
Segunda noite de desfiles: devoção, história e celebração
A primeira escola a pisar na avenida no segundo dia foi a Matinha, com o enredo "Iá! É na Matinha, que a Padilha vai girar!". O desfile homenageou a figura de Maria Padilha, destacando o feminino, a ancestralidade e a presença das religiões de matriz africana e afro-indígena na cultura brasileira.
Na sequência, os Boêmios da Vila Famosa levaram para a avenida o enredo "Folia para Antônio, o Santo milagroso", celebrando a devoção popular a Santo Antônio e a forma única como fé e festa se misturam na cultura brasileira.
A terceira agremiação da noite foi o Império de Samba Quem São Eles, que em 2026 celebra impressionantes 80 anos de história. Com o enredo "Pelos Caminhos das Águas", a escola abordou a navegação como elemento vital de conexão entre povos e territórios.
Encerrando os desfiles com grande estilo, a Deixa Falar apresentou o enredo "Minha vida é um carnaval", que destacou a própria trajetória rica da escola ao longo de mais de três décadas, com referências emocionantes à história construída pela comunidade da Cidade Velha.
Fernando Guga, presidente das Escolas de Samba Associadas (ESA), avaliou positivamente que a segunda noite de desfiles confirmou a força inigualável do carnaval de Belém, com uma disputa acirrada entre as quatro escolas e a marcante presença do público, apesar das condições climáticas adversas. A apuração dos votos do Grupo Especial será realizada na terça-feira (3), a partir das 18h, na Aldeia Amazônica, definindo o grande campeão do Carnaval 2026.
