Bloco Caixeirosas marca 20 anos de alegria e resistência cultural em Campinas
Entre os diversos blocos que animam o carnaval de Barão Geraldo, em Campinas, no interior de São Paulo, um se destaca como símbolo de tradição, afeto e resistência cultural. Há exatamente duas décadas, o bloco Caixeirosas colore as ruas do distrito com marchinhas clássicas e bonecões gigantes, criando uma atmosfera única e familiar. O que começou de forma modesta em 2006, com apenas sete mulheres, hoje reúne aproximadamente 100 pessoas envolvidas na organização e nas apresentações, tudo realizado de maneira artesanal e colaborativa.
Origens e crescimento de uma tradição vibrante
Cristina Bueno, fundadora e mestra das Caixeirosas, relembra com carinho os primeiros passos do grupo. "Era um grupo de caixeiras, que são mulheres que tocam caixa, né? Fomos brincar na rua e aí a gente pensou, se é para criança podia ter um boneco. [...] Aí aumentou e dali nós 'fomos embora'", conta ela. A proposta inicial era criar um carnaval voltado especialmente para as crianças, repleto de cores, histórias encantadoras e personagens cativantes. Foi assim que surgiu a Caixeirosa, a primeira bonecona do grupo, que ganhou movimentos e vida através dos comandos habilidosos de Paula Santos.
Para Paula, o encanto das crianças é algo inestimável. "As crianças acham incrível porque eu giro, brinco, rodo. As crianças olham com um olharzinho brilhante e elas acreditam tanto que é muito lúdico", afirma. Ao longo dos anos, outros bonecões foram incorporados ao bloco, cada um com nome, personalidade distinta e até marchinha própria. Atualmente, mais de 16 figuras desfilam pelas ruas durante o carnaval, mantendo viva a magia da festa.
Artesanato e renovação anual das fantasias
Desde o início, os figurinos e as fantasias passam pelas mãos talentosas da costureira Isabel Cristina Davanço, garantindo que todo ano a tradição se renove com criatividade e cuidado. Neste carnaval, uma novidade emocionante estreia: a Caxeirin, neta da Caixeirosa, que assume a missão de ajudar a avó a espalhar alegria pela festa. Inês, diretora artística do bloco, explica: "A Caixeirin é neta da Caixeirosa. Ela veio para ajudar a avó, porque já está ficando mais velha, o bloco já vai fazer 20 anos, e a avó está ficando cansada e precisa de ajuda".
Em duas décadas de história, o bloco testemunhou gerações crescendo e se envolvendo na tradição. Helena Alves, por exemplo, tinha apenas 7 anos quando se encantou pelas Caixeirosas. Hoje, adolescente, ela toca ao lado da mãe, Cleide Maria dos Santos. Da mesma forma, na família de Isabel, Samira Santos entrou para o bloco aos 3 anos de idade e, aos 11, segue firme nas apresentações, acompanhada da mãe, Sônia Santos.
Estrutura complexa por trás dos bonecões gigantes
Por trás da beleza dos bonecões, existe uma estrutura complexa e engenhosa. As fantasias são montadas sobre uma base com estrutura metálica e arame, que sustenta o corpo dos personagens. Muitas vezes, a base é criada a partir de materiais reaproveitados, como lixo reciclado, demonstrando um compromisso com a sustentabilidade. Para vestir o boneco, o intérprete precisa se prender a uma série de cordas internas, ajustadas à cintura, tronco e peitoral, garantindo firmeza e equilíbrio durante o desfile.
Paula detalha os desafios físicos: "Eu não tenho muito movimento de braço. Então, na verdade, toda a alegria, toda aquela ginga, a dança, está muito na perna. E aí a parte de cima tem que ser mais contida, porque não tem tanto espaço de movimentação lá dentro". O acabamento é realizado com a técnica do papel machê, que dá forma e expressão aos rostos e detalhes, uma habilidade explorada há mais de uma década pela diretora artística Inês Vianna.
Inês reflete sobre o significado do bloco: "Significa muita coisa. Esse poder do coletivo, o poder que a gente tem de transformar as energias, de apesar de tudo a gente estar aí no mundo, brincando, feliz, interagindo, trazendo as coisas boas, trazendo mensagens boas para as crianças". A apresentação do bloco neste Carnaval ocorre no sábado, 14 de fevereiro, a partir das 15h, na praça Durval Pattaro, com o cortejo saindo às 16h e durando cerca de uma hora e meia, perpetuando uma tradição que une comunidade, arte e alegria.
