Bloco do MST faz estreia histórica no pré-carnaval do Rio com Orquestra das Enxadas
O carnaval carioca ganha um novo protagonista neste sábado, 7 de fevereiro, com a estreia do Bloco do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na folia do Rio de Janeiro. Originário de Minas Gerais, o grupo promete uma apresentação marcante que combina arte, política e tradição popular em um cortejo imperdível.
Concentração e trajeto do desfile inédito
A concentração está marcada para as 7h da manhã na Praça Mauá, no Centro do Rio. De lá, o bloco seguirá em direção à Praça da Harmonia, levando consigo uma proposta ousada de ocupar o espaço carnavalesco com uma linguagem artística singular. Segundo Fabito Rammon, dirigente estadual de cultura do MST no Rio, o objetivo é massificar a Reforma Agrária Popular através da festa.
Estrutura artística do bloco: música, dança e militância
A estrutura do Bloco do MST é organizada em três momentos distintos que prometem encantar o público:
- Orquestra das Enxadas: Criada no Bloco Pisa Ligeiro do MST de Minas Gerais, essa formação musical foi replicada em assentamentos e acampamentos, simbolizando a luta pela terra.
- Bateria: Responsável por animar o cortejo com ritmos contagiantes e canções que vão do repertório próprio a clássicos da música brasileira.
- Dança Mística: Uma expressão corporal que se conecta profundamente às músicas, acrescentando um elemento visual e espiritual ao desfile.
Além disso, uma fanfarra de metais vai tocar marchinhas e outras músicas tradicionais do carnaval, mesclando o novo com o antigo.
Repertório que une luta social e celebração
O repertório do cortejo é um destaque à parte, com foco em músicas do próprio movimento. Entre as canções que ecoarão pelas ruas do Rio, estão:
- "Pisa Ligeiro", um hino do MST que reflete a resistência e a esperança.
- "Palestina Livre Vencerá", uma música que expressa solidariedade internacional e causas globais.
- "Maria, Maria", de Milton Nascimento, e "Lucro", do BaianaSystem, mostrando a diversidade musical do bloco.
Essa seleção musical não apenas diverte, mas também comunica valores e ações do movimento de forma direta e acessível à sociedade.
Significado cultural e político da estreia
Para Fabito Rammon, o Bloco do MST é mais do que uma atração carnavalesca; é um instrumento da classe trabalhadora para promover transformações sociais. Ele explica que o carnaval funciona como uma síntese do projeto da reforma agrária, permitindo que as mensagens do movimento alcancem um público amplo de maneira criativa e envolvente.
Esta estreia no Rio de Janeiro representa um marco importante, pois expande a presença do MST para além dos contextos rurais, inserindo-o no coração de uma das maiores festas populares do país. É uma oportunidade para os cariocas e turistas vivenciarem uma manifestação cultural que une alegria, arte e consciência social em um só evento.