Amor de Carnaval: Casais de Olinda celebram mais de uma década de união após encontros na folia
Quem afirmou que um amor de carnaval dura apenas os quatro dias de folia certamente não conhece as histórias inspiradoras que surgem no meio da multidão. Em Olinda, onde mais de 4 milhões de pessoas são estimadas para passar pelos seis dias de festa, flertes efêmeros podem se transformar em relacionamentos duradouros e famílias constituídas. Casais apaixonados compartilham suas jornadas e se preparam para curtir mais um carnaval, celebrando uniões que já ultrapassam uma década.
Um encontro que mudou vidas
Os corretores de imóveis Flávio Ribeiro e Karla Roma se conheceram no carnaval de 2012, em um momento mágico que definiu seus destinos. O primeiro beijo aconteceu em frente à sede do famoso bloco Pitombeira dos Quatro Cantos, marcando o início de uma história de amor que se fortaleceu com o tempo. "De repente, a gente conversando, brincando, foliando, aí vinha aquela morena tropicana descendo no meio. Olhei para ela, fiquei encantado, só existia ela ali naquele momento", relembra Flávio com emoção.
A paixão foi imediata e recíproca, como conta Karla: "Eu bati o olho também, teve aquela conexão, achei ele bem interessante. No desenrolar da noite, a gente foi conversando mais, foi quando teve o primeiro beijo ali na Rua do Bonfim, que a gente se apaixonou". Dois meses após o encontro, já estavam morando juntos, e logo veio a gravidez. Hoje, eles têm um filho de 12 anos e trabalham juntos, completando quase 14 anos de uma união sólida e feliz.
Reencontro após anos de separação
O carnaval também tem o poder de reaproximar corações que a vida havia afastado. Na Rua Prudente de Morais, outro cartão postal de Olinda, um ex-casal da adolescência se reencontrou durante a folia de 2016. A analista tributária Fernanda Pereira, observando de uma varanda, reconheceu o fotógrafo Aldo Pereira, seu ex-namorado, após mais de doze anos sem se verem.
"Corri para varanda para ver a bateria e, quando olhei, ele estava lá embaixo, no cordão de isolamento. Quando acabou o desfile, fui falar com ele e a gente deu um abraço. O coração batendo igual à bateria", descreve Fernanda. O reencontro reacendeu uma chama que nunca havia se apagado, levando-os ao casamento e à chegada de uma filha, Lua.
Superação e força através do carnaval
Em 2026, Fernanda e Aldo celebrarão dez carnavais juntos, mas sua jornada incluiu um grande desafio em 2025, quando ela foi diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré. "Foram sete meses de recuperação, entre UTI e clínica de reabilitação, porque eu tive que voltar a falar, andar", recorda Fernanda. O amor pelo carnaval e o apoio incondicional do companheiro foram fundamentais em sua recuperação.
Aldo explica como a música e a tradição carnavalesca ajudaram: "Toda fisioterapia dela foi com o tamborim dela, e isso ajudou muito. A energia positiva que ela recebia dos vídeos dos ensaios fez com que ela tivesse cada vez mais força para sair dessa situação". Essa história exemplifica como a paixão pela folia pode ser uma fonte de resiliência e esperança.
Esses casais de Olinda provam que o carnaval não é apenas sinônimo de diversão passageira, mas também um cenário onde amores verdadeiros podem florescer e perdurar, transformando encontros casuais em laços familiares fortes e histórias de superação inspiradoras.