Atleta ucraniano é desclassificado de Olimpíadas por capacete com homenagem e recebe doação milionária
O atleta de skeleton Vladyslav Heraskevych, de 27 anos, foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 após usar um capacete que retratava atletas ucranianos mortos na guerra com a Rússia. A decisão da Federação Internacional de Bobsled e Skeleton considerou que as imagens violavam as regras sobre expressão de atletas durante as competições.
Doação equivalente a prêmio de medalha de ouro
Nesta terça-feira (17), Heraskevych recebeu uma doação de mais de US$ 200 mil (cerca de R$ 1 milhão) de Rinat Akhmetov, presidente do clube de futebol ucraniano Shakhtar Donetsk. O valor é equivalente ao prêmio em dinheiro que a Ucrânia paga a atletas que conquistam medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, conforme informado pela agência Reuters.
"Vlad Heraskevych foi privado da oportunidade de competir pela vitória nos Jogos Olímpicos, mas retorna à Ucrânia como um verdadeiro vencedor", afirmou Akhmetov em comunicado oficial do clube.
Controvérsia sobre o capacete e regras olímpicas
O atleta havia sido autorizado a treinar por vários dias com o capacete em Cortina d'Ampezzo, na Itália, local do centro de esportes de gelo. No entanto, um dia antes do início da competição, o Comitê Olímpico Internacional (COI) advertiu Heraskevych de que ele não poderia utilizar o equipamento durante as provas.
O COI sugeriu alternativas, como usar uma braçadeira preta e exibir o capacete apenas antes e depois da corrida. A entidade afirmou que utilizar o capacete durante a competição violaria as regras que proíbem manifestações políticas nas áreas de competição dos Jogos Olímpicos.
Heraskevych perdeu um recurso na Corte Arbitral do Esporte poucas horas antes das duas últimas descidas de sua prova, confirmando a desclassificação. A modalidade de skeleton envolve descer um circuito de bruços sobre um trenó, exigindo o uso obrigatório de capacete para segurança.
Repercussão e apoio de autoridades ucranianas
O atleta também recebeu elogios públicos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que reconheceu sua atitude de homenagear os compatriotas falecidos no conflito. A história gerou ampla discussão sobre os limites entre expressão pessoal e regulamentos esportivos em eventos internacionais.
O infográfico que acompanhava a reportagem original mostrava os atletas ucranianos homenageados no capacete, destacando os nomes e histórias daqueles que perderam a vida durante a guerra. A imagem do capacete tornou-se um símbolo de resistência e memória dentro do contexto esportivo global.