São Paulo marca votação para expulsar conselheiros por venda ilegal de ingressos
São Paulo vota expulsão de conselheiros por venda de ingressos

São Paulo define data para votação histórica sobre expulsão de conselheiros

A diretoria do São Paulo marcou para o dia 8 de abril a votação no Conselho Deliberativo que decidirá sobre a expulsão de Douglas Schwartzmann e Mara Casares do clube. O presidente do conselho, Olten Ayres de Abreu, oficializou a data nesta terça-feira, 31 de março, seguindo recomendação unânime da Comissão de Ética.

Recomendação por pena máxima e consequências severas

Luiz Braga, relator responsável pelo caso, anunciou que os cinco membros da Comissão de Ética optaram pela pena máxima. A pauta encaminhada prevê a saída de ambos não apenas do Conselho Deliberativo, mas também do quadro associativo do São Paulo. Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto da base e conselheiro vitalício, enfrenta ainda a perda do mandato. Já Mara Casares renunciou ao cargo de conselheira eleita em dezembro de 2025, durante o auge das repercussões do escândalo.

Para a aprovação da expulsão, será necessária maioria qualificada de dois terços dos 254 conselheiros atualmente aptos a votar. A votação será fechada, garantindo sigilo no processo decisório.

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Relembrando o caso do camarote 3A e o áudio comprometedor

O escândalo que levou a essa situação teve início com um áudio vazado em que Schwartzmann e Casares discutiam a comercialização ilegal de ingressos de um camarote para o show da cantora Shakira, realizado em fevereiro do ano passado no Estádio do Morumbi. O camarote envolvido, identificado como 3A e localizado no setor leste do estádio, era registrado internamente como "sala da presidência".

Segundo as investigações, Mara Casares teria recebido de Marcio Carlomagno, então considerado seu "braço direito" e superintendente geral do clube, o direito de uso do camarote 3A. Ela repassou o espaço para exploração comercial no show de Shakira, com a venda dos ingressos ficando a cargo de Rita de Cássia Adriana Prado, que faturou aproximadamente R$ 132 mil com entradas que chegavam a custar R$ 2.100 cada.

Desdobramentos judiciais e pressões internas

O caso ganhou contornos judiciais quando Adriana acionou uma empresa parceira por suposta apropriação de ingressos sem pagamento. Com o boletim de ocorrência registrado e o processo em andamento, Douglas Schwartzmann e Mara Casares passaram a pressioná-la para retirar a ação, conforme revelado nas investigações.

No áudio, Douglas reconhece que a operação foi clandestina, afirma que Carlomagno tinha conhecimento dos fatos e demonstra preocupação com os reflexos internos no clube, incluindo o risco de punições e desgaste político para os envolvidos. O nome de Marcio Carlomagno também foi citado nas conversas, sendo até então considerado o principal nome da situação política para a eleição presidencial do clube em 2026.

Consequências políticas e administrativas no clube

O escândalo foi o estopim para uma série de medidas disciplinares e administrativas dentro do São Paulo. Além do afastamento dos diretores envolvidos, o caso motivou auditorias interna e externa, bem como um processo de impeachment que culminou na renúncia de Casares à cadeira de presidente.

Marcio Carlomagno teve sua demissão encaminhada apenas dois dias após Harry Massis Júnior assumir a presidência do clube, fechando um ciclo de mudanças na alta administração tricolor. Ambos os investigados seguem afastados e são alvos de sindicância interna, aguardando o desfecho da votação marcada para abril.

O caso representa um dos episódios mais significativos de crise ética recente no futebol brasileiro, colocando em evidência os mecanismos de controle e punição dentro de uma das instituições esportivas mais tradicionais do país.

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