Lenda da NBA no Brasil: Shaquille O'Neal fala sobre superação e deixa mensagem para Neymar
O gigante norte-americano Shaquille O'Neal, nome histórico do basquete mundial com seus impressionantes 2,16 metros de altura, marcou época na NBA com atuações dominantes que lhe renderam quatro títulos da liga, o prêmio de MVP em 2000 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996. Durante visita ao Brasil para discotecar no festival Lollapalooza nesta sexta-feira (20), o ex-jogador abordou um tema familiar a atletas de elite: como lidar com as críticas.
Transformando críticas em combustível para o sucesso
Em entrevista exclusiva em um hotel na região da avenida Paulista, em São Paulo, O'Neal revelou que usava as constantes avaliações sobre seu baixo aproveitamento na linha de lance livre (52,7%) como motivação dentro de quadra. "Usava isso como motivação. Todo mundo vai receber críticas, mas ninguém pode me criticar mais do que eu mesmo me critico", afirmou o ex-pivô, referindo-se especificamente às observações sobre seus arremessos livres.
O'Neal explicou sua filosofia: "Às vezes, você tem que analisar as críticas e ver se há alguma verdade nelas. Muitas vezes na minha carreira, algumas eram verdadeiras e outras eram puro absurdo. Mas sempre usei isso como motivação para me impulsionar". Essa mentalidade o levou a conquistar um dos currículos mais impressionantes do basquete profissional.
Recado direto ao astro brasileiro Neymar
O ex-jogador aproveitou para dirigir uma mensagem ao atacante brasileiro Neymar, que também convive com uma série de questionamentos sobre suas apresentações em campo. "Tenho certeza que as pessoas estão falando dele, e espero que ele veja isso e use como motivação", aconselhou O'Neal, demonstrando conhecimento limitado sobre o futebol brasileiro.
Quando questionado sobre os títulos do camisa 10, Shaq respondeu: "Ok, então ele já ganhou muita coisa. Mas precisa ganhar a Copa do Mundo". O gigante carismático completou com uma reflexão sobre a natureza das críticas no esporte de alto rendimento: "Até o grande Michael Jordan e o LeBron James, todos esses caras enfrentam críticas. É só parte do negócio. Mas, em algum momento, você tem que ganhar campeonatos".
Retribuição após quase três décadas
Esta é a segunda visita de Shaquille O'Neal ao Brasil. A primeira aconteceu em 1997 e ficou marcada por um episódio inusitado: durante visita a uma quadra da Vila Olímpica na Mangueira, no Rio de Janeiro, o atleta quebrou a tabela ao tentar enterrar uma bola.
Durante evento promovido por uma empresa de apostas esportivas da qual é garoto-propaganda, foi anunciada a construção de novas quadras como forma de retribuição pelo prejuízo de quase 30 anos atrás. As instalações serão construídas na Mangueira e em São Paulo, em local ainda a ser definido.
"Primeiro, quero pedir desculpas por quebrar", afirmou O'Neal. "Quero que as crianças entrem em quadra, arremessem e se divirtam. Vamos garantir que a quadra esteja em boas condições e segura, e espero que isso inspire. Tudo se resume a tentar inspirar as pessoas e dar esperança".
Conexão com a cultura brasileira e visão sobre o basquete nacional
O ex-jogador contou ter sido introduzido à cultura brasileira pelo lutador Vitor Belfort, citou os Racionais como seu grupo de rap preferido no país e destacou a crescente presença de jogadores brasileiros na NBA nos últimos anos. "Há muitos brasileiros que já foram campeões. Joguei com vários na NBA. Tiago Splitter. Nenê. Eles nunca desistem", elogiou.
Shaq apontou Oscar Schmidt como o melhor jogador que o Brasil já teve no esporte, revelando que foi ao assistir o ala em quadra que percebeu pela primeira vez que havia basquete de alto nível sendo praticado fora dos Estados Unidos. "Nunca soube que jogavam basquete com tanta intensidade em outros países. Foi quando percebi que pessoas fora dos EUA também são ótimos jogadores de basquete".
Globalização do esporte e futuro das competições
Com os últimos sete prêmios de MVP da NBA concedidos a jogadores de fora dos Estados Unidos, O'Neal afirmou que o basquete se globalizou completamente. Membro da segunda edição do "Dream Team", como ficou conhecida a seleção dos EUA nas Olimpíadas a partir de Barcelona-1992, o ex-pivô destacou que não é mais possível prever com certeza quem vencerá as próximas edições dos Jogos.
"E isso é bom para o basquete, é bom para a competição. O Brasil vai ter um bom time. Montenegro, os EUA, claro. Estou ansioso pelas próximas Olimpíadas ou pelo próximo Mundial", projetou.
Escolhas e conselhos para a nova geração
Tendo atuado ao lado de nomes como LeBron James e Kobe Bryant, Shaq afirmou que, se pudesse escolher um jogador em atividade para atuar ao seu lado, selecionaria Stephen Curry, do Golden State Warriors. "O jeito que ele arremessa é incrível, é simplesmente o melhor arremessador. Ele e o Oscar Schmidt têm uma mecânica parecida".
O ex-jogador também elogiou Gui Santos, único representante brasileiro atualmente na NBA, e destacou a importância da paciência no processo de desenvolvimento na liga. "Ele ainda não é uma superestrela, mas não precisa ser. Ele é jovem. Só precisa continuar trabalhando", aconselhou.
Como exemplos a serem seguidos pelo ala de 23 anos do Golden State, O'Neal citou outros dois brasileiros campeões da NBA: "Leandro Barbosa, por causa do time em que jogava, não era visto como uma superestrela, mas ele jogava como uma quando estava em Phoenix. A mesma coisa aconteceu com o Anderson Varejão quando eu estava em Cleveland. Isso acontece porque eles trabalham duro e não se intimidam com nenhum desafio".
Finalizando com uma mensagem de apoio, Shaq declarou: "Boa sorte para esse jovem e espero que ele represente o Brasil como todos os outros jogadores", reforçando seu carinho e respeito pelo basquete brasileiro e seus atletas.



