Santos demite Vojvoda após derrota e anuncia Cuca como novo técnico
Santos demite Vojvoda e contrata Cuca como novo técnico

Santos demite técnico argentino e anuncia retorno de Cuca ao comando

Na madrugada desta quinta-feira (19), o Santos Futebol Clube oficializou a demissão do técnico argentino Juan Pablo Vojvoda, de 50 anos, após sete meses à frente da equipe. A decisão foi comunicada ainda no vestiário da Vila Belmiro, logo após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, em jogo válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro.

Comissão técnica também deixa o clube

Junto com Vojvoda, deixam o Santos os auxiliares Nahuel Martinez e Gáston Liendo, o preparador físico Luis Azpiazu, o preparador de goleiros Santiago Piccinini e o psicólogo Christian Rodrigues. Em nota oficial, a agremiação declarou: "O Santos FC comunica a saída do técnico Juan Pablo Vojvoda e dos membros de sua comissão técnica. O clube agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência da carreira."

Cuca assume pela quarta vez no Peixe

Para substituir Vojvoda, o Santos anunciou a contratação do técnico Cuca, que retorna ao clube pela quarta vez – após passagens em 2008, 2018 e entre 2020 e 2021. O novo comandante, de 62 anos e natural de Curitiba (PR), assinou contrato válido até o final de 2026 e chega acompanhado pelo auxiliar Cuquinha e pelo preparador físico Omar Feitosa.

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Preocupação com repercussão negativa

Havia temor por parte do presidente Marcelo Teixeira de uma repercussão negativa semelhante à enfrentada pelo arquirrival Corinthians quando contratou Cuca em abril de 2023. Na ocasião, o técnico lidou com uma onda de rejeição e protestos nas redes sociais devido à condenação por violência sexual enquanto jogador do Grêmio, ao lado de outros três atletas, em 1987. A vítima foi uma adolescente de 13 anos na Suíça.

O trabalho no Corinthians foi encerrado com apenas duas partidas. Cuca, condenado à revelia e sem representação legal na época, só voltou a treinar um time de futebol após o Tribunal Regional de Berna-Mittelland anular a sentença inicial do caso, em janeiro de 2024. Desde então, passou pelo Athletico-PR no mesmo ano e trabalhou no Atlético-MG por oito meses em 2025, conquistando um título do Campeonato Mineiro e se pronunciando algumas vezes sobre o ocorrido.

Custo financeiro da demissão de Vojvoda

A saída de Vojvoda força o Santos a arcar com o pagamento integral do valor estipulado em contrato, válido até dezembro de 2026, estimado em R$ 11,7 milhões. O cálculo é baseado nos ganhos mensais do treinador, de cerca de R$ 1,3 milhão. Com isso, o clube aumenta ainda mais a dívida com ex-treinadores recentes.

A Fifa já condenou o Peixe a indenizar o português Pedro Caixinha, demitido em abril de 2025, em 2,3 milhões de euros (R$ 14,4 milhões), além de multa de 5% ao ano desde a data da rescisão, formalizada em 14 de abril. O Santos recorre na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Pressão e desempenho insatisfatório

Vojvoda convivia há tempos com intensa pressão no cargo, que se agravou após o empate por 2 a 2 contra o Mirassol, no interior paulista, no dia 10 deste mês. A diretoria santista entendeu que não havia mais evolução no trabalho e que o ciclo do treinador havia chegado ao fim, especialmente com uma pausa de 12 dias sem jogos.

Entre os cartolas, as críticas incluíam:

  • Mudanças constantes nas escalações
  • Falta de conjunto mesmo após sete meses no cargo
  • Escolhas erradas em substituições

A avaliação interna era de que o elenco é bom e a baixa performance não se justificava. Mesmo com forte apelo de seus pares pela demissão, Vojvoda ganhou um voto de confiança do presidente Marcelo Teixeira para uma sequência de duas partidas na Vila Belmiro: o clássico diante do Corinthians, no último domingo (15), e o confronto com o Inter, então último colocado no Brasileirão. O treinador somou apenas um ponto dos seis disputados, tornando a manutenção quase insustentável.

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Trajetória de Vojvoda no Santos

Vojvoda chegou ao Santos em agosto do último ano cercado por esperança, após um longo trabalho à frente do Fortaleza, clube que deixou após 310 jogos, cinco títulos, três classificações à Libertadores da América e o vice-campeonato da Copa Sul-Americana. No Santos, porém, lutou contra o rebaixamento no Brasileirão passado e jamais conseguiu convencer.

Ao todo, foram 33 partidas, com dez vitórias, 13 empates e dez derrotas, um aproveitamento de 43,4%, semelhante aos antecessores Cleber Xavier (42,2%) e Pedro Caixinha (43,1%).