A dependência de patrocínios de casas de apostas no futebol é um fenômeno global, mas as realidades do Brasil e da Inglaterra mostram caminhos distintos. Enquanto o Campeonato Brasileiro registrou uma redução significativa em 2026, a Premier League, considerada a liga mais valiosa do mundo, ainda mantém uma forte presença dessas empresas, embora com mudanças regulatórias iminentes.
Brasileirão: queda de 30% nos patrocínios de apostas
No Brasileirão de 2025, um cenário quase totalitário predominava: 19 dos 20 clubes da Série A contavam com patrocínio de casas de apostas. No entanto, 2026 trouxe uma virada expressiva. Times como Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Mirassol e Vasco romperam contratos ou optaram por não renovar as parcerias, reduzindo o número para 13 equipes patrocinadas por empresas do segmento. Vale destacar que o Red Bull Bragantino já não possuía esse tipo de apoio anteriormente.
Essa diminuição reflete um debate intenso no cenário nacional sobre a ética e os impactos sociais dessas parcerias, especialmente em um país onde a regulamentação do setor ainda está em evolução. A discussão ganha contornos ainda mais complexos quando se observa o contraste com mercados mais estabelecidos.
Premier League: domínio das apostas, mas com regras novas
Na Inglaterra, onde o mercado de apostas é regulamentado há mais tempo, a presença é maciça. Atualmente, 17 dos 20 clubes da elite inglesa possuem parcerias com casas de apostas. Desses, 11 times exibem os logos na parte frontal do uniforme, incluindo Aston Villa, Bournemouth, Brentford, Burnley, Crystal Palace, Everton, Fulham, Nottingham Forest, Sunderland, West Ham e Wolves. Outros seis clubes, como Arsenal, Brighton, Chelsea, Manchester City, Newcastle e Tottenham, mantêm acordos para plataformas digitais.
Hans Schleier, COO de uma casa de apostas, comenta: "O mercado de apostas se tornou maduro e seguro em vários países do mundo principalmente após a regulamentação, ainda com os devidos ajustes e melhores entendimentos, adaptáveis a cada mercado." Essa maturidade, porém, não impede a necessidade de adaptações.
Mudanças regulatórias na próxima temporada
A partir da temporada 2026/27, a Premier League implementará uma nova regra: a proibição de logos de apostas na parte frontal das camisas. No entanto, as marcas poderão continuar visíveis em outras áreas, como costas e mangas. Essa medida busca equilibrar a exposição comercial com preocupações sociais, sem cortar totalmente o fluxo de recursos.
Daniel Fortune, influenciador digital especialista em apostas e jogo responsável, ressalta: "A continuidade da exposição desses patrocínios nas camisas, e não a proibição, comprova como esse mercado se tornou global e estratégico para o futebol. Junto com essa expansão, cresce também a responsabilidade de promover uma cultura de jogo consciente. O entretenimento precisa vir acompanhado de informação, limites e orientação."
Contexto global e perspectivas futuras
O cenário evidencia que, enquanto o Brasil parece estar em uma fase de reavaliação e retração nos patrocínios de apostas, a Premier League mantém sua dependência, mas com ajustes regulatórios que refletem uma evolução no tratamento do tema. A proibição parcial na Inglaterra pode servir como um precedente para outras ligas, incluindo a brasileira, que ainda navega entre a necessidade de receita e os apelos por maior responsabilidade social.
Os números mostram uma clara diferença: a elite do futebol inglês ainda abraça fortemente as apostas, enquanto o Brasil dá sinais de cautela. O futuro dessas parcerias, em ambos os lados do Atlântico, dependerá não apenas de regulamentações, mas também de como clubes, torcedores e a sociedade enxergam o papel dessas empresas no esporte mais popular do planeta.
