Irã condiciona participação na Copa do Mundo à resposta da Fifa sobre transferência de jogos
O ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, declarou que o país só tomará uma decisão definitiva sobre sua participação na Copa do Mundo após receber uma resposta oficial da Fifa sobre a possível transferência de seus jogos da fase de grupos. A federação de futebol iraniana (FFIRI) pressiona a entidade máxima do futebol mundial para que os três compromissos da seleção no Grupo G, originalmente programados para os Estados Unidos, sejam realizados no México.
Justificativa baseada em conflitos políticos e medidas de segurança
A solicitação tem como pano de fundo a guerra declarada pelo governo de Donald Trump e de Israel contra o Irã, conforme alegado pelas autoridades esportivas do país. Em resposta a esse cenário geopolítico tenso, o Ministério dos Esportes iraniano proibiu todas as equipes esportivas nacionais e de clubes de viajarem para nações consideradas hostis, o que inclui os Estados Unidos.
"Nosso pedido à Fifa para transferir os jogos dos EUA para o México ainda é válido, mas ainda não recebemos uma resposta", afirmou Donyamali em entrevista à agência de notícias turca Anadolu, realizada neste domingo (5). O ministro foi enfático ao declarar: "Se [nosso pedido] for aceito, a participação do Irã na Copa do Mundo estará garantida".
Posições divergentes entre Fifa e governo iraniano
Enquanto a FFIRI confirmou, no mês passado, que mantém discussões ativas com a Fifa sobre a mudança de local, o presidente da entidade, Gianni Infantino, fez uma declaração contrária na semana passada. Infantino assegurou publicamente que o Irã jogará suas partidas conforme o calendário originalmente estabelecido, sem alterações.
Donyamali, no entanto, reafirmou a postura cautelosa de seu governo: "Como ministro dos Esportes, juntamente com a federação de futebol iraniana, manteremos a equipe de futebol pronta para a Copa do Mundo. No entanto, a decisão final será tomada pelo nosso governo".
Detalhes dos jogos e preocupações com segurança
O Irã está programado para disputar todos os seus jogos do Grupo G em solo norte-americano:
- Contra a Nova Zelândia em Los Angeles
- Contra a Bélgica também em Los Angeles
- Jogo final contra o Egito em Seattle
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se sobre o assunto no mês passado, afirmando que, embora a seleção iraniana fosse bem-vinda para jogar em território americano, isso poderia não ser apropriado para a "vida e segurança" dos atletas. Posteriormente, Trump esclareceu que qualquer ameaça potencial não partiria dos próprios Estados Unidos.
Donyamali destacou a questão da segurança, lembrando que "de acordo com os regulamentos relevantes da Fifa, a segurança precisa ser fornecida no país em questão". O ministro expressou preocupação com o curto prazo: "No entanto, a Copa do Mundo será realizada em breve, e oferecer garantias durante esse período é questionável".
Possibilidade remota de participação sem garantias
O ministro iraniano foi realista sobre as chances de seu país competir nos Estados Unidos nas condições atuais: "Nessas circunstâncias, a possibilidade de o Irã participar dos jogos da Copa do Mundo nos EUA é muito baixa. Mas, se as garantias de segurança relevantes forem fornecidas, nosso governo tomará a decisão sobre a participação do Irã na Copa do Mundo".
A Fifa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail, mantendo o silêncio sobre o impasse. A Copa do Mundo de 2026 será realizada conjuntamente nos Estados Unidos, México e Canadá, com duração de 11 de junho a 19 de julho, aumentando a urgência na resolução desta disputa política-esportiva.
Com informações da Reuters.



