Ex-atleta Fabíola Constâncio supera câncer e cria lei após enfrentar burocracia no esporte
Ex-atleta cria lei após câncer e luta contra burocracia esportiva

Ex-atleta de vôlei de praia supera câncer e transforma luta em lei após enfrentar burocracia esportiva

Em 2019, Fabíola Constâncio, ex-atleta do vôlei de praia e campeã sul-americana, recebeu um diagnóstico de câncer que mudou sua vida e revelou as facetas mais duras do esporte de alto rendimento. Enquanto enfrentava a doença, a rigidez burocrática do meio esportivo ignorou a gravidade de sua condição, contrastando com o apoio recebido de patrocinadores e colegas.

O desafio da cultura da invencibilidade no esporte

Fabíola precisou aprender a lidar com um antigo tabu do alto rendimento: a cultura da invencibilidade. Esse entendimento, que muitas vezes isola o competidor em momentos de vulnerabilidade, foi um obstáculo significativo. O atleta tem aquela coisa do 'eu sou muito foda', que o esporte exige de você, de ser quase inatingível. Mas não é bem assim, relata Fabíola em entrevista.

Durante seu tratamento, que durou mais de um ano, a ex-jogadora recebeu suporte financeiro crucial de colegas e empresas, que mantiveram contratos mesmo sem sua exposição nas quadras. Após a remissão, ela travou outra batalha: buscar mudanças estruturais para voltar a competir.

Da experiência pessoal à criação de uma lei

O caso de Fabíola resultou na criação de uma lei no Distrito Federal que protege o ranking de atletas com doenças graves. Fiz um desabafo em redes sociais que ocasionou em uma lei distrital aqui em Brasília, que leva meu nome, exatamente para garantir a pontuação de atletas que passem por doenças graves. Eu espero que um dia essa lei seja federal, afirma a ex-atleta.

As sequelas do tratamento e a nova realidade

As sequelas da quimioterapia transformaram o organismo de Fabíola de forma definitiva, trazendo limitações físicas como baixa imunidade e intolerâncias alimentares. Essas condições são um desafio para equipes de preparação física, que ainda têm dificuldade em manejar tais particularidades. O atleta oncológico é um atleta totalmente diferente daquilo que ele foi um dia. Sinto falta dessa especialização, desse olhar e desse cuidado, conta.

Novos rumos e a busca por humanização no esporte

Atualmente, Fabíola foca na gestão esportiva e no estudo científico da Educação Física, trabalhando para que o mercado esportivo aprenda a lidar com competidores em remissão oncológica. Sua maior lição é a quebra de paradigmas sobre a vida no esporte após o câncer, humanizando o atleta. Ser resiliente cansa pra caramba. Parece que a gente sempre tem que estar muito bem, mas a gente não é uma fortaleza o tempo todo, reflete.

Essa jornada destaca a necessidade de mais acolhimento institucional e adaptações no esporte para atletas que enfrentam doenças graves, promovendo uma visão mais inclusiva e realista do alto rendimento.