Corinthians vive disputa política interna com foco no departamento de futebol
Disputa política no Corinthians atinge departamento de futebol

Corinthians enfrenta disputa política interna com foco no departamento de futebol

O departamento de futebol do Corinthians se tornou o epicentro de uma intensa disputa política dentro do clube. O gerente de futebol Renan Bloise e a equipe de scout são os principais alvos das críticas, que partem de diferentes alas ligadas à diretoria, criando um cenário de tensão e incerteza.

Críticas ao mapeamento de mercado e influência política

O presidente Osmar Stábile busca equilibrar o apoio ao departamento de futebol no cotidiano com as pressões políticas internas. Ele conta com aliados que frequentam o quinto andar do Parque São Jorge e exercem influência em diversos setores, especialmente no futebol. Segundo apurações, esse grupo está insatisfeito com o trabalho de mapeamento de mercado liderado por Renan Bloise.

A avaliação interna sugere que parte dos jogadores contratados pelo Corinthians teve origem em indicações externas, e não em apontamentos iniciais da equipe de scout. No entanto, fontes ouvidas pela reportagem afirmam que todas as movimentações do Timão no mercado passam, obrigatoriamente, pela análise conduzida por Bloise.

Mesmo quando sugestões partem de fora do clube, existe um processo interno de avaliação que tem peso significativo tanto na aprovação dos nomes quanto na condução das negociações. Internamente, o papel de Renan Bloise é considerado fundamental para a evolução e o fechamento de negócios.

Participação em contratações e desconfianças

Conforme apurado, Bloise teve participação relevante nas tratativas pelas contratações do zagueiro Gabriel Paulista e do atacante Kaio César. No caso de Pedro Milans, embora o nome tenha sido apresentado à diretoria por outros interlocutores, Bloise já mantinha contato com os representantes do atleta desde o ano passado.

Em setembro, o gerente chegou a negociar um pré-contrato com o jogador, que acabou não sendo concretizado naquele momento. Outro fator que alimenta a desconfiança em relação a Bloise é sua proximidade com o executivo de futebol Fabinho Soldado.

As mesmas pessoas que criticam o gerente também se posicionaram contra a permanência de Fabinho no clube no ano passado, indicando um padrão de oposição a figuras-chave do departamento.

Caso Kayky amplia desgaste e tensões

O principal ponto de insatisfação de Osmar Stábile com o departamento de futebol envolve o caso Kayky. Mesmo com o presidente incomodado com a relação entre o Grupo City e os empresários do atleta – rompida pela diretoria corintiana desde o episódio envolvendo Kauê Furquim –, a negociação com o jogador do Bahia avançou por meio do departamento de futebol.

O executivo Marcelo Paz foi poupado das críticas, mas houve incômodo direto em relação a Renan Bloise, que já estava no clube no ano passado, quando o Grupo City contratou Furquim ao pagar a multa rescisória válida para o mercado nacional.

O caso está atualmente sob análise da Câmara Nacional de Resoluções e Disputas (CNRD). Além disso, há suspeitas internas de vazamento de informações dentro do setor, com o objetivo de forçar o avanço do negócio, o que teria irritado profundamente o presidente.

Pressão política e futuro indefinido do departamento

Por outro lado, parte do clube enxerga a pressão sobre Renan Bloise e o departamento de futebol como uma tentativa de sequestro do futebol por grupos políticos próximos a Osmar Stábile. Nesse contexto, Marcelo Paz segue preservado.

O UOL apurou que o executivo tem adotado uma postura diplomática diante do cenário, mas não abre mão da autonomia do departamento de futebol. Stábile, por sua vez, busca evitar um confronto direto e mantém Bloise e a equipe de scout ao menos até o fim da janela de transferências.

Isso porque todo o trabalho de monitoramento e análise de mercado passa atualmente por eles. Ainda assim, há forte pressão interna para mudanças no setor ao longo da temporada. O presidente ainda não definiu quais medidas adotará, mas reconhece que alterações profundas não podem ser feitas de forma abrupta e tenta conduzir a situação com cautela.

O futuro do departamento de futebol do Corinthians permanece incerto, com a disputa política refletindo-se nas decisões estratégicas e na gestão do elenco, em um momento crucial para o clube.