Gustavo Reiz assume desafio de microdramas na Globo após Fuzuê
Gustavo Reiz lidera microdramas na Globo pós-Fuzuê

Gustavo Reiz assume missão de microdramas na Globo após decepção com Fuzuê

O autor de novelas Gustavo Reiz, de 44 anos, retorna à TV Globo para liderar uma aposta ambiciosa em microdramas, também conhecidos como novelas verticais. Este formato, que vem conquistando espaço globalmente, é visto como uma estratégia crucial para atrair um público jovem, cada vez mais distante da televisão aberta.

O convite e a motivação para a nova fase

Em entrevista exclusiva à coluna GENTE, Reiz revelou que o convite para voltar à emissora surgiu diante do potencial promissor dos microdramas. O universo dos microdramas é muito promissor e hoje é o foco do mercado audiovisual no mundo inteiro, afirmou o autor. Ele destacou que vem estudando o formato desde o ano passado, buscando parcerias para desenvolvê-lo no Brasil, país com um perfil de público ideal para esse tipo de produto.

Microdramas como ferramenta para conquistar jovens

Reiz acredita que os microdramas são essenciais para dialogar com uma geração entre 16 e 34 anos, que busca satisfação rápida e se desconecta de narrativas longas. Essas tramas dialogam com um público que vem se desconectando de narrativas longas e quer satisfação rápida, explicou. Ele citou sua experiência com A Escrava Mãe (2016), que ganhou popularidade no TikTok através de recortes feitos por fãs, exemplificando como o público já molda novas formas de consumo.

Projetos atuais e a evolução do papel do dramaturgo

Atualmente, Reiz está finalizando Uma Babá Milionária, uma produção para o Globoplay com 50 capítulos. Sobre sua função, ele descreve um mix entre criador de conteúdo e dramaturgo, transformando-se em um showrunner que acompanha produção, dialoga com plataformas e entende algoritmos. Não há tempo para erro: um capítulo tem um minuto e meio, ressaltou, enfatizando a necessidade de engajamento imediato.

Diferenças na criação de personagens

O autor destacou que, nos microdramas, os personagens tendem a ser mais arquetípicos e maniqueístas, com comunicação imediata para facilitar o entendimento em contextos de consumo rápido, como no ônibus ou em filas. Em contraste, as telenovelas tradicionais permitem construir ambiguidade ao longo do tempo, uma complexidade que se perde no formato vertical.

Reflexões sobre Fuzuê e o mercado audiovisual

Reiz também abordou sua última novela na Globo, Fuzuê (2023), que teve uma das piores audiências da faixa das sete. Ele atribuiu parte do resultado ao impacto da pandemia, que alterou o perfil do público e a produção da obra. Foi uma novela atravessada pela pandemia, disse, acrescentando que talvez faltasse mais conflito emocional. No entanto, ele evitou considerar a novela injustiçada, destacando que o sucesso hoje é medido além da TV aberta, incluindo streaming e consumo sob demanda.

O futuro dos microdramas no Brasil

Reiz defende que os microdramas não devem ser vistos como produtos menores, mas sim como um gênero em formação no Brasil, ainda sem crítica especializada. Ele citou exemplos internacionais, como a China, onde existem milhares de produções do tipo. O erro é analisar as novelas tradicional e vertical com a mesma régua, concluiu, afirmando que ambas as linguagens podem coexistir, com a telenovela servindo como base para narrativas mais complexas.