Showrunner de Bridgerton revela detalhes sobre mudanças polêmicas e futuro da série
Em entrevista exclusiva à VEJA, Jess Brownell, showrunner da aclamada série Bridgerton, falou abertamente sobre as decisões criativas que estão moldando o futuro da produção da Netflix. A conversa ocorreu após o lançamento da quarta temporada, que trouxe desfechos emocionantes e algumas mudanças significativas em relação aos livros originais de Julia Quinn.
Mudança polêmica: Francesca e o romance lésbico
Uma das revelações mais impactantes da entrevista foi a confirmação da transformação da história de Francesca Bridgerton em um romance lésbico. Brownell defendeu firmemente essa decisão, explicando que faz parte da identidade da série criar um universo inclusivo. "Bridgerton construiu seu nome sendo um espaço onde todos podem se ver representados", afirmou a showrunner.
Ela destacou que, embora muitos fãs dos livros tenham reagido negativamente quando a terceira temporada revelou que o interesse amoroso de Francesca seria Michaela (uma mulher), a equipe criativa manteve o curso. "O romance é uma fantasia, e é justo que o público queer também tenha essa oportunidade de representação", completou Brownell.
Perspectiva dos empregados e desafios da quarta temporada
A quarta temporada trouxe uma inovação significativa ao contar parte da história pela perspectiva dos empregados das casas aristocráticas. Brownell explicou que, como a protagonista Sophie é uma criada, pareceu fundamental explorar mais profundamente o mundo "de baixo".
"Passamos mais tempo com a equipe da casa Bridgerton, com a Sra. Varley na casa Featherington e também com os funcionários da Casa Penwood", detalhou a showrunner. "Isso nos permitiu contar uma diversidade de histórias para que a experiência da Sophie não fosse a única representada".
Um dos maiores desafios, segundo Brownell, foi encontrar o equilíbrio na representação do mundo dos servos. "Não queríamos glorificar o que significava ser um servo, mas ainda é Bridgerton, então precisávamos manter o tom de ludicidade e beleza característico da série".
Benedict e sua sexualidade fluida
A bissexualidade de Benedict Bridgerton, que foi explorada na série, também foi tema da entrevista. Brownell foi enfática ao afirmar que essa característica sempre será parte da identidade do personagem, mesmo que ele esteja em um relacionamento aparentemente heterossexual com Sophie.
"Para ser um parceiro verdadeiro para Sophie, ele iria querer que ela soubesse sobre sua identidade queer", explicou a showrunner. "Você não pode conhecer alguém de verdade e estar apaixonado sem revelar a plenitude de quem você é".
Por que Francesca e não Eloise?
Questionada sobre por que escolheu desenvolver uma história queer com Francesca em vez de Eloise, que muitos fãs consideram ter características mais evidentes, Brownell deu uma resposta reveladora. "Uma parte central de Eloise é que ela se opõe ao casamento, mas isso não precisa necessariamente significar que ela é queer".
A showrunner argumentou que é interessante representar todos os tipos de pessoas queer, não apenas aquelas que parecem escolhas óbvias. "Já vi representação queer em personagens como Eloise com muito mais frequência, mas não vi tanto em personagens como Francesca, especialmente em peças de época".
Amor maduro e futuro da série
Outro aspecto destacado foi a história de amor de Violet Bridgerton, que ganhou um interesse romântico que não existe nos livros originais. Brownell explicou que é importante mostrar que pessoas fora dos 20 anos também têm vidas amorosas.
"Bridgerton é sobre o amor em suas várias formas", afirmou. "Assim como a série é inclusiva em termos de raça e sexualidade, acho importante mostrar essa diversidade etária também".
Sobre o futuro da série, com as temporadas 5 e 6 já confirmadas, Brownell revelou uma mudança significativa no foco narrativo. "Após o foco nos irmãos Bridgerton nas últimas temporadas, chegou a hora de voltarmos o foco para as irmãs Bridgerton", anunciou com entusiasmo.
Protagonistas anteriores e possíveis spin-offs
Questionada sobre a dificuldade de trazer de volta protagonistas de temporadas anteriores, como Daphne e Anthony, Brownell foi realista. "Sempre nos esforçaremos para incluir os protagonistas anteriores, mas a natureza do show é que o foco muda", explicou.
Quanto à possibilidade de novos spin-offs, seguindo o sucesso de A Rainha Charlotte, Brownell afirmou que seu foco criativo atual está completamente voltado para contar as histórias dos oito irmãos Bridgerton. "Um spin-off seria uma decisão da Shonda Rhimes, mas eu certamente assistiria e ficaria animada para ver onde ela focaria", concluiu.
A entrevista completa com Jess Brownell oferece um raro vislumbre dos processos criativos por trás de uma das séries mais populares da Netflix, revelando tanto as decisões corajosas quanto os cuidadosos planejamentos que estão moldando o futuro do universo Bridgerton.



