Marcos Oliveira questiona tabu sobre sexualidade na terceira idade no Retiro dos Artistas
Marcos Oliveira fala sobre tabu da sexualidade na velhice

Ator Marcos Oliveira levanta debate sobre sexualidade na velhice e normas do Retiro dos Artistas

Em entrevista ao programa semanal da coluna GENTE, disponível no canal da VEJA no YouTube, no streaming VEJA+, na TV Samsung Plus e também em versão podcast no Spotify, o ator Marcos Oliveira, de 69 anos, conhecido como Beiçola, falou abertamente sobre as dificuldades de convívio no Retiro dos Artistas e tocou em um tema ainda considerado tabu: a sexualidade na terceira idade.

Adaptação e regras rígidas no convívio coletivo

Marcos Oliveira descreveu que viver no Retiro dos Artistas é uma experiência positiva, mas exige adaptação. "Viver aqui é ótimo, só que tem que se adaptar. Aqui não tem uma conduta geral para conviver. E aí você vai e aguenta", afirmou o ator. Ele destacou situações como o momento do almoço, onde os residentes frequentemente elevam o tom de voz, criando um ambiente barulhento. "Na hora do almoço, é uma refeição que eles falam pra caralh*. Gritam, a relação deles é gritar", completou.

Sexualidade na terceira idade: um direito negado

Outro ponto crucial abordado por Oliveira foi a questão da sexualidade entre os idosos. No Retiro dos Artistas, não é permitido receber visitas íntimas de pessoas externas, uma regra que o ator questiona. "A gente, que é mesmo que é velho, a sexualidade existe. No inconsciente, à noite, você tem desejos, entendeu? Sexuais noturnos. E isso não se toca no assunto, porque velho é para não sentir mais prazer, para não ter mais relação", explicou.

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Essa fala gerou reações intensas nas redes sociais após a divulgação do programa de VEJA, com muitas críticas direcionadas ao ator. A pergunta que fica é: por que falar de sexo e reivindicar esse direito na velhice ainda causa comoção e choque na sociedade?

As raízes do tabu sobre sexo na velhice

O sexo na terceira idade permanece um tabu devido a uma combinação complexa de fatores culturais e sociais que se consolidaram ao longo das décadas. Historicamente, a sexualidade foi associada quase exclusivamente à juventude, à estética corporal e à reprodução. Isso criou uma visão distorcida de que pessoas mais velhas são "assexuadas", ignorando que desejos, afetos e necessidades sexuais continuam presentes em qualquer fase da vida.

Além disso, o etarismo — preconceito baseado na idade — reforça a ideia de que envelhecer significa perder vitalidade, inclusive no âmbito sexual. Esse olhar é alimentado por:

  • Discursos conservadores que limitam a sexualidade a certas faixas etárias.
  • A indústria cultural, que raramente representa o desejo na maturidade de forma natural e respeitosa.
  • Representações que, quando ocorrem, muitas vezes tratam o tema com humor, estranhamento ou até ridicularização.

Romper o tabu: um caminho necessário

No fundo, o tabu persiste porque a sociedade ainda tem dificuldade em associar envelhecimento ao prazer sexual. Romper essa barreira exige:

  1. Mais representação midiática e cultural da sexualidade na terceira idade.
  2. Informação e educação sobre o tema, desmistificando crenças ultrapassadas.
  3. Reconhecimento de que a sexualidade não tem prazo de validade — ela apenas se transforma com o tempo.

Não há nada de errado em Marcos Oliveira, como morador do Retiro dos Artistas, questionar modelos que não consideram os desejos e a individualidade dos idosos. Sua fala serve como um importante alerta para repensarmos como tratamos a sexualidade e o envelhecimento em nossa sociedade.

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