Vídeo viral: alunas da EJA rasgam frases machistas em ação pela educação feminina
Alunas da EJA viralizam ao rasgar frases machistas em vídeo

Vídeo emocionante de alunas da EJA ao rasgar frases machistas conquista as redes sociais

Um vídeo poderoso e simbólico tem circulado intensamente nas redes sociais nesta semana, mostrando alunas da Educação para Jovens e Adultos (EJA) literalmente rasgando frases machistas que ecoam violência psicológica contra mulheres. As cenas, gravadas na Escola Figueiredo Correia, em Várzea Alegre, no Ceará, fazem parte de uma ação especial realizada para o Dia da Mulher, com o objetivo claro de sensibilizar a sociedade sobre os obstáculos que muitas mulheres enfrentam para acessar a educação.

Frases que aprisionam são destruídas em ato de libertação simbólica

Entre as frases que foram rasgadas pelas estudantes, destacam-se mensagens controladoras e limitantes, como:

  • "Você não vai sair de casa sem a minha permissão."
  • "Se me deixar, ninguém mais vai me querer."
  • "Se não for minha, não será de mais ninguém."
  • "Você não precisa estudar nem trabalhar, eu sustento você."
  • "Sem mim, você não é nada."

É importante ressaltar que as alunas que aparecem no vídeo não estão relatando experiências pessoais, mas atuam como porta-vozes de colegas que realmente sofreram com esse tipo de violência psicológica. A professora da turma, Lucivânia Alves, explicou a motivação por trás da iniciativa: "Temos alunas com muita vontade de ir para a escola, mas os maridos chegam em casa e não as deixam ir... decidimos trabalhar essas frases para incentivar e mostrar que a educação é um caminho de liberdade".

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Histórias de superação: a EJA como ferramenta de transformação

Duas das participantes do vídeo, Kelly Barreto dos Santos, de 45 anos, e Josefa Borges, de 65 anos, compartilharam suas jornadas inspiradoras com a educação. Kelly, que é pescadora, encontrou apoio do marido para conciliar sua exaustiva rotina com os estudos noturnos. "Antigamente, eu não conseguia ler as palavras. Hoje, eu já consigo... E posso ir ao mercado e pegar meu troco direitinho", comemora ela, destacando a conquista da autonomia no dia a dia.

Já Josefa, que sempre esteve imersa em tarefas domésticas e cuidados do lar, decidiu que era hora de buscar a alfabetização. "Nunca tive a oportunidade de estudar quando era mais nova. Eu sabia só escrever meu nome mesmo. E agora eu sei bastante conta... somar as contas de matemática, as contas que a professora faz… Eu faço tudo", relata com orgulho, exemplificando como a educação pode ressignificar a vida de mulheres adultas.

Cenário preocupante: queda nas matrículas da EJA no Brasil

A ação das alunas cearenses ganha ainda mais relevância ao ser contextualizada no cenário nacional da Educação para Jovens e Adultos. Dados recentes do Censo Escolar, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), revelam uma queda acentuada nas matrículas da modalidade. Em comparação entre 2024 e 2025, houve uma redução de 734 turmas em todo o país.

No ensino médio da EJA, a situação é particularmente crítica: as matrículas caíram de aproximadamente 976.390 em 2024 para cerca de 845.627 em 2025, representando uma diminuição de cerca de 130 mil estudantes em apenas um ano. Esses números destacam os desafios estruturais que a educação de jovens e adultos enfrenta, tornando iniciativas como a da Escola Figueiredo Correia ainda mais valiosas para manter viva a esperança e a luta por acesso à educação.

O vídeo viral das alunas da EJA, portanto, não é apenas um conteúdo emocionante que circula na internet; é um grito de resistência e empoderamento que ressoa em um momento crucial para a educação brasileira, lembrando a todos que o direito de aprender é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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