A atriz e jornalista Tainá Müller, de 43 anos, abriu o coração sobre sua trajetória pessoal e profissional ao assumir o comando do programa Café Filosófico, na TV Cultura. Em entrevista exclusiva, ela revela pela primeira vez os desafios de crescer com o diagnóstico de superdotação e altas habilidades, recebido aos 5 anos de idade. A artista, conhecida por seu papel em Bom Dia, Verônica, também fala sobre a importância de conteúdos profundos na televisão aberta e como encontrou no programa seu lugar no mundo.
Relação com a filosofia
O Café Filosófico é um dos poucos espaços da TV aberta dedicados à reflexão filosófica. Tainá Müller conta que sempre teve afinidade com o tema. Na escola e na faculdade, já se interessava pela área. Chegou a fazer cursos de extensão e uma pós-graduação em filosofia, que cursou por dois anos durante a pandemia. Faltou apenas a monografia, que não pôde concluir devido às gravações de Bom Dia, Verônica. Para ela, buscar conhecimento é um prazer constante.
Desafios na TV aberta
A atriz reflete sobre os desafios de levar discussões profundas para a televisão aberta. Ela observa que vivemos em um mundo onde os conteúdos estão cada vez mais rasos, superficiais e rápidos. A TV aberta, muitas vezes, subestima a audiência, mas há um público interessado em pensar e consumir produções com profundidade. Tainá considera essencial esse tipo de programação e vê no Café Filosófico uma oportunidade de oferecer algo diferente.
Diagnóstico precoce
Recentemente, Tainá revelou que foi diagnosticada com altas habilidades e superdotação aos 5 anos. Ela aprendeu a ler sozinha aos 3 anos e tinha dificuldade para brincar com crianças da mesma idade. A mãe buscou orientação e um neuropsicólogo fez o diagnóstico. Com isso, ela foi adiantada um ano na escola e, aos 16, já estava na faculdade.
Superdotação: dom ou desafio?
Muitas pessoas veem a superdotação como um dom que traz apenas vantagens, mas Tainá discorda. Para ela, essa é uma visão equivocada. Trata-se apenas de uma forma diferente de funcionamento do cérebro. Há facilidade em algumas áreas, mas dificuldade em outras. Ela demorou muito para fazer amigos na escola, passava o recreio sozinha e sofria bullying por ser considerada esquisita. O peso emocional foi grande.
Debate atual sobre superdotação
A atriz se sente feliz ao ver o tema sendo debatido hoje em dia. Com 43 anos, ela observa que só agora isso acontece. Acredita que, se tivesse passado por um acompanhamento psicológico, em vez de apenas ser adiantada na escola, sua vida teria sido mais tranquila. O diagnóstico precoce não veio acompanhado de suporte adequado.
O lugar de Tainá no Café Filosófico
Ter um espaço para explorar suas inquietações na televisão é algo incrível para Tainá. Ela brinca que sente cócegas cerebrais de prazer no Café Filosófico, porque estar ali a alimenta. Seu cérebro relaxa e encontra vazão para a árvore de pensamentos que monta o tempo todo. O programa se tornou seu lugar no mundo.
Atuação: uma medicina
Apesar do foco no Café Filosófico, a atuação continua presente na vida de Tainá. Para ela, atuar é como uma medicina. Justamente por ter uma mente acelerada, precisa estar presente na cena. Em breve, estará em um projeto grande, que pede para aguardarmos.



