Tiago Puntel: primeiro diretor com Down no Brasil celebra inclusão no cinema
Primeiro diretor com Down no Brasil celebra inclusão

Tiago Puntel: O primeiro diretor com síndrome de Down no Brasil

Tiago Puntel, 26 anos, natural do Rio Grande do Sul e diagnosticado com síndrome de Down, tornou-se o primeiro diretor com essa condição no Brasil. Em depoimento a Duda Monteiro de Barros, ele compartilha sua trajetória de superação, preconceito e sucesso no cinema, com o premiado documentário "Uma em Mil".

Superando o preconceito desde a infância

Desde pequeno, Tiago enfrentou olhares discriminatórios. "As pessoas me olhavam diferente, como se eu não fosse capaz", relembra. O apoio do irmão Jonatas e da mãe foi fundamental para que ele nunca desistisse. Apesar das dificuldades, sempre teve amigos com Down que o compreendiam e faziam feliz.

O cinema como divisor de águas

A entrada no mundo do cinema transformou sua vida social. Hoje, Tiago frequenta eventos de trabalho, festivais de cinema, festas e bares — lugares onde raramente se vê pessoas com Down. "Pessoas como eu podem e devem estar em mais espaços", afirma ele, defendendo a inclusão em todos os ambientes.

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O documentário "Uma em Mil"

A ideia surgiu com o irmão Jonatas: um documentário sobre a síndrome de Down. O título remete à estatística de que um em cada mil bebês nasce com a condição. Tiago atuou como ator e diretor, tornando-se o primeiro do Brasil com Down a assumir a direção — talvez até no mundo. "Nunca ouvi falar de outro", diz.

Durante as gravações, ele se afastou da mãe pela primeira vez por longos períodos. "No começo foi estranho, mas foi bom viver isso", conta. Ao ver o filme pronto, emocionou-se: "Chorei sem parar". A obra explora a relação com o irmão, as diferenças em suas vidas e inclui o tio Cleber, que também tem síndrome de Down.

Reconhecimento e prêmios

"Uma em Mil" conquistou três Kikitos no Festival de Gramado e o prêmio de melhor filme na mostra Novos Rumos do Festival do Rio. Para participar, Tiago viajou de avião pela primeira vez. Depois, recebeu menção honrosa no DOC.Coimbra, em Portugal — seu primeiro voo internacional, que exigiu até passaporte.

Planos futuros

O filme chega aos cinemas no segundo semestre, mas Tiago já está em novos projetos. Dirige, novamente com o irmão, o curta "Abraços e Beijos", uma história de amor. O próximo passo é um longa-metragem com direção solo. "O roteiro já começou", revela. "Não imaginava como o cinema mudaria tanto as coisas e me faria uma pessoa tão feliz."

Mensagem de inclusão

Tiago espera que o documentário ajude as pessoas a entenderem melhor a vida de quem tem Down. "É raro que a gente tenha esse tipo de voz", destaca. Ele deseja que mais pessoas com a síndrome ocupem espaços no cinema — escrevendo, fotografando, dirigindo, editando. "Atores já existem vários de nós."

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