Marina Merlino fala sobre honrar vítimas em 'Emergência Radioativa' da Netflix
Marina Merlino sobre honrar vítimas em série da Netflix

Marina Merlino destaca compromisso com vítimas em série sobre tragédia radioativa

A atriz paulistana Marina Merlino, de 32 anos, vive uma das personagens mais impactantes da minissérie Emergência Radioativa, disponível na Netflix. Ela interpreta Catarina, uma mãe fictícia baseada em histórias reais de mulheres afetadas pelo desastre do césio-137 em Goiânia, em 1987. Em entrevista exclusiva, Merlino compartilhou detalhes sobre o processo criativo e a responsabilidade de retratar uma tragédia nacional.

Pesquisa aprofundada e surpresas sobre o caso

Marina Merlino revelou que, ao receber o teste para a série, mergulhou em uma pesquisa obsessiva sobre o acidente radioativo. "Eu já conhecia o caso, era parte do meu imaginário desde criança, mas nunca tinha investigado com profundidade", afirmou. Ela leu materiais, assistiu a entrevistas e documentários, focando no processo de responsabilização e nas indenizações das vítimas.

A atriz expressou surpresa com a falta de discussão sobre o tema nas escolas, apesar de seu impacto humano e da criação de protocolos médicos brasileiros que se tornaram referência mundial. "Isso me fez pensar em como o Brasil lida com grandes calamidades: muita coisa ainda se repete, para o melhor e para o pior", refletiu.

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Polêmica sobre consulta a sobreviventes e representação ficcional

Após o lançamento da série, surgiu uma polêmica sobre a não consulta a todos os sobreviventes do desastre. Merlino explicou que entrou no projeto duas semanas antes das filmagens, com muitas decisões já tomadas. Ela destacou que a produção entrevistou alguns sobreviventes, mas não todos, e que a série não busca ser uma cinebiografia fiel.

"Os personagens são condensações de várias histórias reais", disse. Catarina, por exemplo, mescla experiências de diferentes pessoas, incluindo Lourdes de Neves Ferreira, mãe da garotinha Leide, símbolo da tragédia. Merlino enfatizou o compromisso da equipe: "Nosso compromisso no set era honrar as histórias das vítimas com respeito e dignidade".

Colaboração feminina e cenas emocionantes

A atriz destacou o papel essencial das mulheres na série, comparando-o a situações como a pandemia, onde a presença racional feminina se mostrou forte. "As mulheres meio que salvam o mundo", comentou. Ela citou a cena da separação entre mãe e filha no ônibus como um exemplo de colaboração coletiva, onde o diretor Fernando Coimbra permitiu que o elenco criasse livremente, resultando em uma sequência poderosa.

Merlino também elogiou o trabalho com as crianças no set, especialmente Mariana da Silva, que interpreta Celeste. "Havia um cuidado enorme, com equipe dedicada e pausas sempre que necessário", relatou. Ela participou de momentos sensíveis nos bastidores para oferecer segurança às crianças, criando um ambiente respeitoso.

Momento da carreira e repercussão internacional

Com uma trajetória iniciada no teatro aos 16 anos e focada em cinema independente, Marina Merlino está assimilando a visibilidade trazida pela série. "Esta é a primeira vez que meu trabalho chega a um público tão amplo", afirmou. Ela está envolvida em novos projetos, incluindo um filme com o diretor argentino Pedro Wallace e uma peça de teatro, aberta a oportunidades internacionais.

A repercussão de Emergência Radioativa tem sido impressionante, com a série entrando no top 10 em 26 países. Merlino recebeu mensagens de lugares como Turquia e Espanha, emocionada com o interesse global pelo tema. "Isso dá um senso de propósito ao trabalho", concluiu, agradecida pelo carinho recebido.

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