Livros sobre música brasileira: Nora Ney, Gilberto Gil, Tom Jobim e Marcos Ariel
Livros sobre música brasileira: Nora Ney, Gil, Jobim e Ariel

Livros sobre música brasileira raramente se tornam best-sellers no mercado editorial, mas contam com um público leitor fiel que assegura a circulação contínua dessas obras nas prateleiras das livrarias, gerando sucessivos lançamentos. Neste primeiro semestre de 2026, a bibliografia musical brasileira foi enriquecida com publicações sobre o pianista Marcos Ariel, o cantor Gilberto Gil, a cantora Nora Ney (1922–2003) e o samba “Águas de março” (1972), um dos inúmeros standards do cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927–1994). A seguir, uma análise do que cada um dos quatro livros oferece.

“Águas de março – Sobre a canção de Tom Jobim”

Organizado e apresentado por Milton Ohata, este livro dissecou o samba composto em março de 1972 e lançado em maio do mesmo ano no Disco de bolso do jornal O Pasquim. A obra inclui dois depoimentos do autor, Antonio Carlos Jobim, além de um texto do organizador detalhando a criação e a gravação original. Conta ainda com três ensaios aprofundados, escritos por Arthur Nestrovski, Augusto Massi e Walter Garcia, que analisam a composição sob os pontos de vista técnico, poético e social. Destaca-se o ensaio “O samba mais bonito do mundo”, de Arthur Nestrovski, pela fluidez de sua escrita. O livro foi lançado em 16 de março pela Editora 34.

“Dossiê Nora Ney – Uma voz poética e política – 100 anos”

Organizado por Raphael Fernandes e Lopes Farias, esta coletânea reúne nove textos inéditos que iluminam a vida e a voz noturna de Nora Ney, importante cantora carioca projetada nos anos 1950 como intérprete de sambas-canção como “Ninguém me ama” (Antonio Maria e Fernando Lobo, 1952), “Bar da noite” (Bidu Reis e Haroldo Barbosa, 1953) e “De cigarro em cigarro” (Luiz Bonfá, 1953). O dossiê recorda que Nora gravou o primeiro rock no Brasil em 1955, tema abordado pela jornalista Chris Fuscaldo. Do ponto de vista documental, a obra presta um excelente serviço à bibliografia musical com dois textos que discorrem sobre a militância política da cantora, uma artista assumidamente de esquerda. Assuntos como aborto e violência doméstica, pouco associados à vida de Iracema de Souza Ferreira (nome de batismo da artista), também são explorados. O livro, lançado em 25 de abril pela editora Garota FM Books, revela a importância de Nora Ney e traça um perfil do Brasil dos dourados anos 1950, ao mesmo tempo progressista e conservador.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“O piano brasileiro de Marcos Ariel”

Escrito pelo jornalista Miguel Sá com a colaboração do próprio pianista e compositor carioca Marcos Ariel (nascido em 1952), esta biografia conta com textos introdutórios do jornalista George Vidor e do empresário Luis Antonio Cunha, um dos fundadores da casa carioca de shows Jazzmania (ativa entre 1983 e 1994). O livro traça o percurso do músico desde a infância até sua entrada em cena, oficializada em 1981 com a carteira do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro e o lançamento do primeiro álbum, “Bambu”. Repleto de fotos e reproduções de reportagens de jornais, a obra percorre os passos de Marcos Ariel do choro ao jazz, gêneros aos quais o pianista e flautista é mais associado. O livro foi lançado em 7 de maio pela Editora Jaguatirica como primeiro volume da “Coleção Música Brasileira”.

“Nem tanto esotérico assim – Seis vezes Gil”

Repetindo a fórmula dos livros “Outras palavras – Seis vezes Caetano” (2022) e “Trocando em miúdos – Seis vezes Chico” (2024), o jornalista Tom Cardoso traça um perfil da vida e obra do cantor, compositor e violonista Gilberto Gil por meio de seis ensaios temáticos. Os textos enfocam o artista sob os prismas da censura, da família, da negritude, do poder, da política e da música. Sem os rigores de uma biografia investigativa, a obra compila informações já conhecidas e ainda apresenta a discografia de Gil, com capas de álbuns e listas de músicas e compositores, cobrindo um período de 60 anos, de 1962 a 2022, ano do (por ora) último álbum “Em casa com os Gil”. O livro foi lançado em 11 de maio pela Editora 34.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar