Nesta quinta-feira, 30, todos os cinco membros do júri da 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza renunciaram seus cargos, incluindo a presidente Solange Farkas, curadora brasileira. Uma semana antes, eles haviam deixado claro que não premiariam artistas oriundos de países cujos líderes foram acusados de crimes contra a humanidade.
Contexto da polêmica
A Bienal abre suas portas em 9 de maio e ainda não anunciou quais serão seus novos jurados. O comunicado do júri foi publicado no veículo eFlux e apenas apontou que a renúncia estava relacionada à polêmica, sem citar exatamente quais nações eram alvo da postura anterior.
Atualmente, o Tribunal Internacional de Crimes de Guerra investiga o israelense Benjamin Netanyahu e seu primeiro-ministro, Yoav Gallant, pela conduta do país em conflito com Gaza. Além disso, um mandato de prisão foi emitido contra Vladimir Putin, devido à Guerra da Ucrânia.
Reações e críticas
A repercussão da decisão do júri começou quando o Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou críticas à Bienal via X, antigo Twitter. Para o órgão, o evento não era mais “um espaço artístico aberto para ideias livres e sem limites”, e sim “um espetáculo de doutrinação anti-Israel”.
Artistas israelenses também se queixaram sobre censura. O escultor Belu-Simion Fainaru fará parte da Bienal em maio e chegou a consultar advogados para questionar e processar o júri. Em entrevista ao The New York Times, ele disse: “Sou um artista e tenho direitos iguais. Não posso ser discriminado por pertencer a certo país ou raça. Deveria ser analisado apenas pela qualidade e mensagem de minha arte”.
Desdobramentos
A renúncia do júri levanta questões sobre a liberdade artística e o papel político das bienais. A organização do evento ainda não se pronunciou oficialmente sobre a substituição dos jurados ou sobre a política de premiação para esta edição.



