Cultura Pior da Semana: Evento de Juliano Cazarré resvala no machismo
Evento de Juliano Cazarré resvala no machismo

A iniciativa do ator Juliano Cazarré de criar o que chama de 'maior encontro de homens do Brasil', batizado de O Farol e a Forja, tem gerado polêmica. O evento, que se apresenta como um resgate de valores, espiritualidade e identidade masculina, é criticado por conter um discurso repleto de machismo.

Discurso de 'reconstrução' em meio a recorde de feminicídio

A proposta parte da ideia de um suposto 'vazio' do homem contemporâneo, tratado como fragilizado, com viés conservador e religioso. O problema é que esse discurso de 'reconstrução' da masculinidade surge em um momento em que o país registra um recorde histórico de feminicídio. De acordo com o levantamento do Fórum de Segurança Pública, divulgado em março, 1.568 mulheres foram assassinadas em razão da sua condição de gênero em 2025.

Risco de ignorar debate urgente

Nesse contexto, iniciativas que reforçam modelos tradicionais de masculinidade correm o risco de ignorar — ou até agravar — um debate tão urgente como a violência contra as mulheres. A delicadeza do tema é tamanha que o próprio ator antecipou a reação negativa. Ao divulgar o projeto, afirmou saber que 'iria apanhar' com a proposta.

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Ator mantém curso apesar das críticas

Ainda assim, mesmo diante das críticas e de um cenário alarmante, Juliano Cazarré manteve o curso previsto para julho, reforçando a sensação de que, mais do que abrir diálogo, prefere dobrar a aposta. O evento segue gerando debates sobre os limites entre o resgate de valores e a perpetuação de estereótipos prejudiciais.

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