Etarismo: livro de professor de Yale propõe aposentadoria compulsória e gera polêmica
Etarismo: livro de Yale propõe aposentadoria compulsória

Entenda o que é etarismo

O livro só estará disponível no próximo mês, mas Samuel Moyn já alcançou seu objetivo: chamar a atenção. Professor de Direito e História na renomada Universidade Yale, ele lança em junho a obra Gerontocracy in America: how the old are hoarding power and wealth – and what to do about it (Gerontocracia na América: como os velhos estão acumulando poder e riqueza – e o que fazer a respeito). O autor defende o fim da “tirania dos velhos” com propostas, no mínimo, pouco ortodoxas, como a aposentadoria compulsória para remover a mão de obra sênior do mercado de trabalho e “incentivos fiscais” para forçar os idosos a venderem seus imóveis.

Na obra, Moyn argumenta que, enquanto os americanos debatiam as enfermidades de Joe Biden e, agora, acompanham perplexos o comportamento errático de Donald Trump, negligenciaram uma transferência massiva de poder e riqueza para os mais velhos, resultando no “cerceamento das perspectivas dos jovens”. Embora isso ocorra nos Estados Unidos – assim como no Brasil –, as propostas de Moyn carregam um perigoso risco: alimentar o etarismo.

Diagnóstico da gerontocracia

Segundo o professor, em legislaturas, empresas e tribunais, a idade média das lideranças subiu drasticamente. O resultado? Elas financiam campanhas alinhadas com suas pautas, bloqueando qualquer desafio ao status quo. Seguem alguns pontos polêmicos levantados por ele:

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  • Preservação: uma sociedade que envelhece está mais focada na preservação do que na renovação.
  • Demografia: a idade média do eleitor americano é de 52 anos (voto não obrigatório), com tendência de alta. A idade média de um comprador de imóvel passou de 30 anos em 1981 para 53 anos em 2022.
  • Bloqueio: com a abolição da aposentadoria compulsória em diversos setores, os profissionais optam por permanecer nas melhores posições, obstruindo a ascensão dos sucessores.

Ao menos Moyn – que está na casa dos 50, ou seja, não é nenhum jovem – reconhece que a gerontocracia não é um “plano maligno”. Teria sido construída com base na negação da nossa finitude.

Plano para desmantelar o poder dos idosos

O autor detalha seu plano, igualmente polêmico, para desmantelar o poder dos idosos:

  1. Aposentadoria compulsória: estabelecer idades de aposentadoria obrigatória para evitar que a mão de obra sênior ocupe cargos de liderança.
  2. Transferência geracional de ativos: criar mecanismos para a transferência precoce de riqueza e bens dos mais velhos para os mais novos.
  3. Empoderamento político da juventude: implementar reformas para aumentar o peso do voto dos cidadãos jovens.
  4. Fortalecimento de uma rede de proteção: garantir que os idosos deixem seus cargos sem sacrificar sua segurança financeira.

Como discutir a beleza e a importância da convivência entre gerações em um ambiente de provocação, populismo e, principalmente, um clima de “nós contra eles”?

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