Duda Santos, 24 anos, vem se consolidando como um dos nomes mais promissores da nova geração de atores brasileiros, destacando-se pela intensidade dramática, carisma e versatilidade em cena. Com performances marcantes na televisão e no streaming, a atriz conquistou reconhecimento do público e da crítica ao interpretar personagens fortes, sensíveis e conectados a debates contemporâneos sobre juventude, identidade e representatividade.
Em seu mais recente papel, Duda vive Alika, a primeira princesa negra protagonista na teledramaturgia brasileira, na novela das 6 da TV Globo, A nobreza do amor. Em entrevista exclusiva à coluna GENTE, a atriz também comentou sobre o romance que vive com o cantor Tiago Iorc e sobre sua visão acerca da sexualidade.
Significado de ser a primeira princesa negra
Quando questionada sobre a importância de interpretar Alika, a primeira princesa negra protagonista em uma novela, Duda Santos refletiu: “Quando parei para pensar na personagem, uma mulher preta que foi criada para governar, para ser princesa de um reino, foi cruel em um primeiro momento. Você pensa: ‘Cara, como é que isso poderia ter sido?’. É importante termos esses personagens, faz parte de um enriquecimento de imaginário. Acredito que o audiovisual tem o poder de mudar o mundo, e quero que essa novela faça parte de uma mudança de narrativa, que entregue a crianças negras a possibilidade de sonhar. Se tivesse assistido a uma novela como essa quando criança, teria economizado muito dinheiro com terapia.”
A atriz confessou que, na infância, sentia falta de ver princesas negras na televisão. “Não sabia nem que era possível ter isso, sabe? Era uma carência de representatividade que eu não entendia muito na época. Venho de uma casa onde todos assistiam a muita televisão e, embora até existissem algumas pessoas pretas na tela, era sempre com narrativas muito limitadas. Lembro que na infância, quando assistia a desenhos animados, me pegava pensando que nunca seria tão feliz quanto aquelas meninas que estava vendo. Eu me comparava muito, e foi um processo longo e dolorido para alcançar a autoestima.”
Reconhecimento ou demanda de mercado?
Ao ser indagada se o sucesso precoce, aos 24 anos, era reflexo de reconhecimento real ou uma demanda do mercado por diversidade, Duda respondeu: “A gente se questiona em algum momento. Demorei para reconhecer minha capacidade, para reconhecer que merecia aquele lugar. Na minha segunda novela, Renascer, lembro de, em alguns momentos, pensar: ‘eu não deveria estar aqui’. Eu não dormia direito por causa do medo da estreia, achava que as pessoas não iam gostar do que eu estava fazendo. E isso vem muito da nossa história, de como o mundo enxerga a gente.”
Diversidade nos bastidores
Sobre o fato de o audiovisual brasileiro ainda ser majoritariamente comandado por pessoas brancas, a atriz comentou: “Acontece muito de vermos as histórias de pessoas pretas sendo esvaziadas, a gente já viu coisas muito ruins acontecendo com histórias de pessoas pretas. E por isso acho importante que tenham pessoas pretas em todos os lugares dessa construção. Em todos os serviços, em todos os trabalhos. Pensando, construindo junto. Estamos começando a falar sobre isso, e está começando a acontecer.”
Duda afirmou que não se recorda de ter sido vítima de preconceito explícito na carreira, mas destacou a dificuldade de identificar o racismo estrutural. “É complicado, porque quando se trata de racismo no Brasil, parece que a gente está ficando doido. Como é uma coisa estrutural, são coisas que acontecem muito nas entrelinhas, a ponto de você ter dificuldade de falar claramente ‘ah, aconteceu isso naquele dia’. É algo que você sempre fica em dúvida. Às vezes chego em casa e converso com a minha mãe: ‘será que isso aqui foi?’. E normalmente é.”
Planos futuros e religião
Questionada sobre os papéis que deseja interpretar, Duda revelou: “Não quero fazer nada que já fiz, e quero fazer todo o restante (risos). Tenho muita vontade de ser uma vilã, sabe? De fazer uma patricinha, uma maluca.”
A atriz também falou sobre sua religiosidade: “Fui criada na Igreja Católica, né? Fiz comunhão, catequese. Ia para a igreja todo domingo. Mas frequento o Candomblé desde meus 15, 16 anos. Comecei a ir com a minha mãe, que me levou para tratar alguns problemas espirituais, e continuo indo desde então. A religião é uma coisa que me move, e eu ainda tenho costumes católicos. Faço a cruz antes de comer, tenho Nossa Senhora na minha sala. É o Brasil do Brasil, né? Aquele sincretismo religioso que mostra que somos formados por um pouquinho de cada coisa.”
Vida amorosa e sexualidade
Sobre o relacionamento com Tiago Iorc, Duda afirmou: “Está ótimo. Estou num momento ótimo da minha vida, muito feliz. Estou num melhor momento da minha vida. Acho que estou me conhecendo, amadurecendo.”
Quando perguntada se se define como heterossexual ou prefere fugir de rótulos, a atriz respondeu: “A gente vai sendo. Não tem que se definir em nada. Quem se define, se limita. O amor é tão grande, é tanta coisa. Às vezes somos uma coisa, daqui a pouco não sei. O futuro é muito incerto. É bom a gente não se limitar tanto.”



