Artistas de várias gerações prestam homenagem a Juca de Oliveira em velório emocionante
A despedida do renomado ator, escritor e diretor Juca de Oliveira foi marcada por um momento de profunda comoção e celebração de sua trajetória. O velório aconteceu neste sábado (21), em uma casa funerária localizada no tradicional bairro da Bela Vista, no centro de São Paulo, reunindo uma multidão de artistas da nova geração e da velha guarda do teatro e da televisão, além de amigos próximos e familiares.
Morte e legado artístico
Juca de Oliveira, ícone da dramaturgia brasileira, faleceu aos 91 anos durante a madrugada, no Hospital Sírio-Libanês, onde estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva para tratamento de uma pneumonia e um problema cardíaco. Curiosamente, na segunda-feira anterior (16), ele havia completado mais um aniversário enquanto permanecia no leito hospitalar, demonstrando sua resistência até os últimos momentos.
Isabella Faro de Oliveira, única filha do artista, expressou sua gratidão pela presença do público e da imprensa durante a cerimônia. Em uma entrevista coletiva emocionada, ela ressaltou a imensa influência artística que Juca exerceu tanto na cultura nacional quanto dentro do ambiente familiar.
"O Juca foi um pai maravilhoso. Eu trabalho com teatro, a gente sempre respirou o teatro. E eu tenho uma filha de quatro anos que era apaixonada por ele, e esse é o maior legado que ele tem. A minha filha ama teatro, e provavelmente vai seguir a carreira dele", declarou Isabella, com voz embargada.
Ela acrescentou: "Meu pai deixa uma história indiscutível no teatro brasileiro. E a gente está com uma homenagem. Tem três peças dele em cartaz. Ele era um apaixonado pelo teatro, pela cultura, pelas pautas sociais e pela política", enfatizando o compromisso do artista com questões que transcendiam o palco.
Carreira de sete décadas e homenagens
O velório teve início às 15 horas, na Funeral Home, e o enterro está programado para o domingo, no Cemitério do Araçá, situado na zona oeste da capital paulista. Juca de Oliveira construiu uma carreira impressionante que se estendeu por sete décadas, iniciando nos palcos do Teatro Brasileiro de Comédia e do Teatro de Arena, este último com um forte viés político durante a década de 1960, até alcançar as dezenas de seriados e novelas na televisão.
Entre suas produções televisivas mais memoráveis, destacam-se participações em "Nino, o Italianinho", "Saramandaia" e "O Clone", que consolidaram sua presença no imaginário popular brasileiro.
Miriam Mehler, atriz da velha guarda com 91 anos e colega de Juca no Teatro de Arena, compartilhou seu pesar pela perda do amigo. Com uma carreira também de setenta anos, ela não poupou elogios ao legado deixado pelo artista.
"O Juca, além de ser um amigo maravilhoso, um ator, um autor, ele era um ser humano fantástico. Então, vai fazer muita falta aqui nesse nosso universo. Sua partida é dolorosa", afirmou Miriam, em declaração que ecoou o sentimento de todos os presentes.
A cerimônia de despedida serviu como um testemunho vivo do impacto que Juca de Oliveira teve na cultura brasileira, unindo gerações em um tributo à sua vida e obra.



