Chico César lança 'Fofo': álbum resgata canções da juventude com leveza e experimentalismo
Chico César lança 'Fofo' com canções juvenis e experimentalismo

O cantor e compositor paraibano Chico César lança nesta quinta-feira, 1º de maio, o álbum 'Fofo', seu primeiro trabalho solo desde 'Vestido de amor' (2024). O disco reúne 16 faixas autorais, sendo a maioria composta entre os 17 e 20 anos do artista, período em que residia em João Pessoa (PB) antes de se mudar para São Paulo (SP) aos 21 anos. Até então inéditas em disco, essas canções de juventude ganham vida em gravações intimistas, no formato voz e violão, remetendo ao álbum de estreia 'Aos vivos' (1995).

Um mergulho no passado musical

O repertório de 'Fofo' é majoritariamente composto por canções escritas na juventude de Chico César, mas também inclui faixas mais recentes, como 'Ligue o foda-se' (2023). O artista, ciente de que essas obras refletem uma fase anterior à maturação de sua arte, buscou adensá-las com seu canto e toque de violão, como exemplificado em 'Errerré'. O álbum também apresenta experimentalismo, especialmente em parcerias com Pedro Osmar ('9 linhas 22 toques corpo à escolha do diagramador') e Paulo Ró ('A verdadeira história do Cavaleiro da fome contra o Dragão hipnótico'), ambos membros fundadores do grupo Jaguaribe Carne, do qual Chico fez parte em João Pessoa.

Raízes e influências

Mesmo em estágio embrionário, as canções juvenis já apontam as fontes da música de Chico César. 'Saudade senhora dona' evoca os cantadores nordestinos, com aboios e galopes, enquanto 'Lençóis maranhenses' se aproxima da canção de amor. Já 'Esclaridão' é uma faixa ambiciosa, com ares eruditos, subintitulada 'Suíte libertária em três movimentos', que menciona danças e ritmos nordestinos de Catolé do Rocha (PB), cidade natal do artista.

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Faixas e colaborações

O álbum abre com a vinheta 'Hino da coroação', cuja letra minimalista evoca um haicai concretista. Seguem-se 'Com a licença da palavra' e 'Snif snif', canção pueril sobre morrer de tristeza. 'Eu mais ela' foi apresentada por Maria Bethânia em setembro de 2025, durante show de seus 60 anos de carreira. A faixa-título 'Fofo' inclui coautoria da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que cedeu uma frase de seu livro 'Americanah' (2003). 'De ukelele para lua' traz um suingue febril e narra um episódio com um fã intrusivo. O disco encerra com 'Pobre Vila Rica', um jorro autoral que mescla presente e passado.

Um artista politizado

Em 'Profano', canção menos sedutora melodicamente, transparece a inquietude que marca Chico César como um dos artistas mais politizados e ativistas do Brasil. O álbum 'Fofo' é um retrato fiel de sua trajetória, unindo juventude e maturidade em harmonia.

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