Autora de Bridgerton revela detalhes da adaptação para streaming e comenta sobre inclusão na série
Caro e gentil leitor, mesmo que o nome Julia Quinn não seja imediatamente reconhecido, é quase certo que o universo por ela criado já tenha cruzado o seu caminho. A renomada autora norte-americana é a mente por trás da aclamada série de livros "Os Bridgerton", que conquistou o mundo ao ser adaptada para a Netflix, com quatro temporadas já disponíveis e uma quinta em produção ativa.
Julia Quinn é uma das convidadas de destaque da Bienal do Livro Bahia 2026, evento que ocorrerá em Salvador a partir desta quarta-feira, 15 de abril, até o dia 21 do mesmo mês. A escritora marcará presença no sábado, dia 18, para um encontro especial com seus "diamantes da temporada" - os fãs brasileiros que aguardam ansiosamente por esse momento.
O sucesso de Bridgerton e as curiosidades dos livros
Em entrevista exclusiva, Julia Quinn celebrou o fenômeno global que Bridgerton se tornou, compartilhando curiosidades fascinantes sobre os livros originais e oferecendo sua perspectiva sobre as transformações que a série sofreu ao migrar para a televisão. Entre essas mudanças, destaca-se a introdução do casal queer apelidado pelos fãs como "Franchaela".
A série literária de Julia Quinn transporta os leitores para a alta sociedade londrina do início do século XIX, um mundo repleto de bailes luxuosos, casamentos arranjados e escândalos palacianos. O núcleo da narrativa acompanha a família Bridgerton, composta por oito irmãos distintos:
- Anthony
- Benedict
- Colin
- Daphne
- Eloise
- Francesca
- Gregory
- Hyacinth
Cada volume da série é dedicado à história de amor de um desses personagens, criando um rico mosaico de relacionamentos e emoções. Embora se trate de um romance de época, a narrativa habilmente incorpora elementos de desejo e intimidade, atualizando a obra para o público contemporâneo sem perder a essência histórica.
O equilíbrio entre romance e intimidade
Para Julia Quinn, encontrar o equilíbrio entre esses elementos nunca representou um desafio significativo. "A intimidade é uma parte fundamental do romance. Se vai haver uma cena íntima, isso precisa estar organicamente conectado ao desenvolvimento dos personagens e à evolução de suas histórias", explicou a autora durante a entrevista.
A adaptação televisiva foi conduzida pela produtora Shondaland, liderada pela renomada roteirista e produtora Shonda Rhimes, criadora de sucessos como Grey's Anatomy e Scandal. Julia Quinn já havia manifestado publicamente sua confiança na equipe de Shonda, concedendo liberdade criativa para as modificações consideradas necessárias na transição para as telas.
Inclusão e representatividade na adaptação
Entre as alterações mais significativas está a inclusão de atores de diversas etnias em papéis que, historicamente, seriam ocupados por pessoas brancas na alta sociedade londrina. "Considero maravilhoso tudo o que pode ser feito para que um número maior de pessoas se identifique com a obra e se veja representado nesse universo", afirmou Quinn com convicção.
A mudança que mais gerou discussão nas redes sociais recentemente foi a alteração do gênero de um personagem central: Michael se transformou em Michaela, criando assim um casal queer entre Francesca Bridgerton e Michaela Stirling. Nos livros originais, Francesca se casa com o conde John Stirling, e após sua morte súbita, encontra consolo e posterior paixão em Michael Stirling, primo de John.
A visão da autora sobre a mudança para um casal queer
Julia Quinn abordou essa transformação com naturalidade e apoio: "Ao revisitar a história que escrevi, compreendo que os aspectos mais cruciais são o luto compartilhado pela morte de John e o sentimento de culpa que envolve o amor que surge entre eles. Não há nada nesses sentimentos fundamentais que torne inviável que não se trate de um casal heterossexual".
A autora acrescentou: "Acredito firmemente que a parte mais importante da história para mim - esses sentimentos profundos de luto e culpa - será preservada na adaptação". A alteração foi recebida com entusiasmo por muitos fãs, que rapidamente criaram a torcida "Franchaela" nas redes sociais.
O mistério de Lady Whistledown
Quem acompanha os livros ou a série conhece bem o impacto causado pela coluna de fofocas assinada pela misteriosa Lady Whistledown. Ao longo da narrativa, revela-se que a autora é Penelope Featherington, uma jovem que se sente deslocada nos eventos sociais. Curiosamente, esse mistério não foi apenas para os leitores: por meses, nem mesmo Julia Quinn sabia quem seria a responsável pelas colunas.
"Lady Whistledown surgiu porque eu precisava inserir muitas informações sobre o passado e as famílias dos personagens, mas desejava fazê-lo de maneira que não fosse cansativa ou aleatória", explicou a escritora. Após criar a primeira coluna, ela mesma começou a questionar a identidade de Lady Whistledown. "Isso se tornou parte integral da história e do mistério", brincou.
A resposta definitiva só veio após a finalização do primeiro livro, quando Julia, já ansiosa sobre a identidade da personagem misteriosa, releu toda a obra e concluiu que Penelope seria a escolha mais adequada. "Nunca considerei seriamente nenhum outro personagem para esse papel, mas confesso que por um longo período eu mesma não sabia quem seria", revelou.
Expectativas para a Bienal do Livro Bahia
Esta será a segunda visita de Julia Quinn a Salvador. Sua primeira passagem pela cidade ocorreu há quase uma década, em 2017. Desta vez, ela planeja explorar mais pontos turísticos da capital baiana e imergir na culinária local, com especial interesse em experimentar o autêntico acarajé.
Questionada sobre suas expectativas para a Bienal do Livro Bahia, Julia expressou animação genuína pelo contato com os fãs brasileiros: "Eles tratam os autores como verdadeiras estrelas do rock, e isso é simultaneamente maluco e maravilhoso. Tenho certeza de que serei calorosamente abraçada", finalizou com um sorriso.



