Ethan Hawke se transforma em 'Blue Moon' e busca Oscar com papel de letrista alcoólatra
Ethan Hawke busca Oscar com transformação radical em 'Blue Moon'

Ethan Hawke se metamorfoseia para papel histórico em busca do Oscar

Ao assistir a "Blue Moon", o público pode ter dificuldade em reconhecer Ethan Hawke. O ator, que se tornou um galã conhecido mundialmente após "Sociedade dos Poetas Mortos" e "Caindo na Real", aparece completamente transformado. Interpretando o lendário letrista Lorenz Hart, Hawke surge como um homem de baixa estatura, calvo e visivelmente desconfortável em sua própria pele. Esta caracterização marcante rendeu ao ator, aos 55 anos, uma indicação ao Oscar de Melhor Ator para a cerimônia de 2026.

Uma colaboração de décadas com Richard Linklater

O filme é resultado da longa parceria entre Hawke e o diretor Richard Linklater, que começou há mais de trinta anos com "Antes do Amanhecer", em 1995. "A magia da relação é que é um pouco como andar de bicicleta; você simplesmente não pensa nisso", revelou o ator em entrevista à France Presse. Sobre o roteiro de Robert Kaplow, Hawke afirmou: "Ele me enviou esse roteiro e nós dois sentimos que era um dos textos mais intensos que já vimos. E queríamos compartilhá-lo com o mundo".

O desafio físico e a preparação de uma década

Conseguir a aparência física de Hart representou o maior obstáculo para Hawke. O ator dedicou uma década de trabalho ao papel desde que leu o roteiro pela primeira vez, em 2014. "Não achei que precisaria envelhecer para isso, mas o Rick (Linklater) achou", confessou ao site The Wrap. "Rick sabia que o tempo só ia jogar a meu favor. E, curiosamente, não se trata apenas de envelhecer, não é só o rosto que enruga e cai. Eu achava que estava pronto quando tinha 40 anos, mas não estava", completou.

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Hawke destacou que o papel exigiu tudo o que ele aprendeu sobre atuação de personagem em mais de trinta anos de carreira. O roteiro denso e literário é dominado pelo ator, que teve mais falas nos primeiros 30 minutos do filme do que em seus quatro últimos filmes juntos.

A narrativa solitária de Lorenz Hart

"Blue Moon" se desenrola quase inteiramente no bar de um restaurante da Broadway, onde Hart se refugia durante a estreia de "Oklahoma!". Este foi o primeiro grande espetáculo de seu colaborador de longa data, Richard Rodgers, criado em parceria com Oscar Hammerstein após o fim da dupla com Hart.

Ao longo de 100 minutos, o filme explora:

  • O colapso da colaboração criativa entre Hart e Rodgers (interpretado por Andrew Scott)
  • A homossexualidade não escondida de Hart e sua fascinação por uma jovem estudante de Yale (Margaret Qualley)
  • Suas rodadas de drinques com E.B. White (Patrick Kennedy), autor de "A teia de Charlotte"
  • A solidão profunda do personagem, que evoca Rick Blaine de "Casablanca" ao dizer "Ninguém nunca me amou desse jeito"

Quinta indicação ao Oscar e uma colaboração "misteriosa"

Esta é a quinta indicação de Hawke ao Oscar. Anteriormente, ele concorreu como Melhor Ator Coadjuvante por "Dia de Treinamento" e "Boyhood: Da Infância à Juventude", e recebeu duas indicações a Melhor Roteiro Adaptado por "Antes da Meia-Noite" e "Antes do Pôr do Sol".

O ator atribui sua longa colaboração com Linklater (com quem trabalha em seu décimo projeto) ao espaço dado para se livrar de qualquer vestígio de vaidade. Sobre essa parceria, Hawke afirmou: "Não sei como posso ter tanta sorte. Realmente não entendo como o universo funciona. Tem sido uma das colaborações mais empolgantes da minha vida".

A atuação em "Blue Moon" representa o resultado do que Hawke descreve como uma experiência "misteriosa". Ele competirá na categoria de Melhor Ator contra Wagner Moura ("O Agente Secreto"), Leonardo DiCaprio ("Uma Batalha Após a Outra"), Timothée Chalamet ("Marty Supreme") e Michael B. Jordan ("Pecadores").

A 98ª cerimônia do Oscar será realizada em 15 de março de 2026, em Hollywood, marcando mais um capítulo na notável carreira de Ethan Hawke.

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